Bolsonaro saqueia o petróleo brasileiro e coloca em risco o meio ambiente Bolsonaro saqueia o petróleo brasileiro e coloca em risco o meio ambiente

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 10 de outubro de 2019

Em meio a inúmeras contestações na Justiça acerca dos impactos ambientais dos leilões de petróleo marcados para esta quinta-feira (10), a Agência Nacional de Petróleo (ANP) insiste na realização da 16ª Rodada.

A FUP é uma das entidades que ingressaram com Ação Civil Pública contra a realização do leilão – que pretende ofertar 36 blocos nas bacias sedimentares marítimas de Pernambuco-Paraíba, Jacuípe, Camamu-Almada, Campos e Santos.

Os blocos a serem licitados estão localizados próximos a áreas ambientais que podem ser impactadas pela exploração de petróleo, como o arquipélago de Abrolhos, na Bahia, além de manguezais, recifes, corais e pesqueiros.

Um derramamento de óleo na bacia de Camamu-Almada (BA), por exemplo, colocaria em risco o rico Complexo de Abrolhos. Parecer feito por técnicos do Ibama constatou o impacto ambiental que a exploração de petróleo causará na região. Porém, mesmo assim, o governo Bolsonaro autorizou o leilão dos blocos. Já na bacia de Jacuípe, em Sergipe, os estudos de avaliação ambiental ainda não foram sequer concluídos.

As manchas de óleo que, há semanas, atingem o litoral do Nordeste – sem que se saiba como e de onde surgiram – reforçam a incapacidade do governo Bolsonaro de agir em uma situação como essa. O descontrole entre o Ministério do Meio Ambiente e os órgãos fiscalizadores beira o absurdo, a ponto de o governo apelar para a teoria da sabotagem e culpar o inimigo ideológico, responsabilizando a Venezuela pelo ocorrido.

Desnacionalização do pré-sal

Se a 16ª Rodada do Pré-Sal coloca em risco o meio ambiente, os leilões que acontecerão em novembro irão dilapidar a maior descoberta de petróleo da atualidade. Através da 6ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, marcada para 7 de novembro, e do leilão do Excedente da Cessão Onerosa, que será realizado no dia anterior (dia 6), o governo Bolsonaro pretende entregar 57 bilhões de barris de petróleo, o maior saque da história do País.

O governo Temer, sem a legitimidade das urnas, já havia realizado em 2017 e 2018 quatro leilões do pré-sal. Neste curto espaço de tempo, as petrolíferas estrangeiras abocanharam a maior parte das reservas licitadas.

Segundo estudo do Dieese, 13 multinacionais já se apropriaram de 75% das reservas do pré-sal brasileiro. Juntas, elas detêm o equivalente a 38,8 bilhões de barris de petróleo, de um total de 51,83 bilhões de barris do pré-sal que foram licitados no regime de partilha.

As britânicas Shell e BP, por exemplo, já acumulam 13,5 bilhões de barris de petróleo em reservas do pré-sal, mais do que a própria Petrobrás – que detém 13,03 bilhões de barris em campos leiloados nas cinco rodadas da ANP.

Para o leilão do dia 7 de novembro, a Agência habilitou 13 empresas: Shell, BP, Chevron, ExxonMobil, Repsol, Petronas, CNODC, CNOOC, Ecopetrol, Murphy, Wintershall DEA e QPI e a Petrobras, as únicas brasileiras.

Fonte: FUP