Petrobrás banca mais de 90% de bônus arrecadado em megaleilão do pré-sal Petrobrás banca mais de 90% de bônus arrecadado em megaleilão do pré-sal

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 8 de novembro de 2019

Com poucas propostas e sem concorrência, o megaleilão da cessão onerosa do pré-sal realizado na última quarta-feira (6) foi dominado pela Petrobrás. O certame arrecadou R$ 70 bilhões, cerca de dois terços dos R$ 106,5 bilhões estimados pelo Governo Federal e, das 14 empresas habilitadas a participarem da concorrência, metade nem compareceu.

A área de Búzios, a mais cobiçada da oferta, foi arrematada pela Petrobrás (90%) em consórcio com duas empresas estatais chinesas. Outra área de grande interesse, a de Itapu, só teve uma proposta, da própria Petrobrás. As outras duas áreas sequer tiveram ofertas.

Os resultados têm sido apresentados como um fracasso do governo, mas essa sensação só se explica pelas projeções otimistas apostando na arrecadação de curto prazo. Para o economista Rodrigo Leão, coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), o resultado é para ser comemorado e não só pela Petrobrás, que adquiriu os melhores campos, mas também pela sociedade.

“O leilão foi frustrante para quem esperava os R$ 106,5 bilhões imediatamente nas mãos do governo, mas nós do Ineep sempre tivemos dúvidas de que as empresas entrariam como operadoras. Isso seria um problema operacional complicado”, explica Leão.

Ele acrescenta ainda que “esse leilão ofertou reservas excedentes de campos da cessão onerosa que já estão em produção, operados pela Petrobrás. A entrada de uma nova operadora demandaria o estabelecimento de uma nova estrutura produtiva numa área onde ela já existe. Isso não faria sentido operacionalmente e afastou empresas interessadas em ingressar no leilão como operadoras. Portanto, nossa expectativa sempre foi de que as ofertas realizadas fossem de consórcios com a Petrobrás, e que esses consórcios mantivessem a estatal como operadora”.

Além disso, como as áreas são muito ricas em petróleo, o resultado do leilão foi positivo. “O problema é que a diretoria atual da Petrobrás tem uma ideia fixa na redução quase imediata do endividamento, mesmo que isso signifique sacrificar o lucro operacional a longo prazo. Na verdade, a estatal garantiu acesso a bilhões de barris de um óleo de poços que ela já está explorando”. Leão reforça que esse resultado é motivo para comemoração não só pela empresa, mas também pela sociedade. “Além do volume fiscal importante que vai para o Estado, o excedente vai ficar para a Petrobrás, que é uma empresa pública, que investiu muito nessa descoberta e que tem sido muito eficiente na exploração do pré-sal”.

Das quatro áreas colocadas à disposição no leilão – Búzios, Itapu, Atapu e Sépia – apenas as duas primeiras foram arrematadas. Leão explica que nas áreas onde a Petrobras não quis ser operadora (Atapu e Sépia), o próprio desinteresse da estatal acabou por afastar outras empresas. Como esse leilão se caracterizou pela venda de reservas provadas em regiões onde já há uma estrutura de produção montada, a entrada de uma nova operadora seria tecnicamente complexa, uma vez que não faria sentido montar duas estruturas de produção distintas para explorar a mesma área. Então, a associação das demais empresas aos consórcio dependeria da posição da Petrobras como operadora, algo que não ocorreu em Atapu e Sépia.

Fonte: Ineep (editado pelo Sindipetro/MG)