Editorial: Agora é greve Editorial: Agora é greve

Diversos, Notícias, Opinião, Tribuna Livre | 7 de fevereiro de 2020

Na noite do dia 31 de janeiro, em uma sexta-feira, petroleiras e petroleiros de Minas Gerais iniciaram mais uma dura batalha. Trata-se de mais uma etapa de uma verdadeira guerra – de um lado, os trabalhadores e defensores da maior empresa da América Latina, símbolo da soberania nacional – do outro, um governo que se diz patriota, mas que insiste em um projeto de destruição do país e submissão aos Estados Unidos.

Dessa vez, não cruzamos os braços por aumentos salariais ou melhorias dos nossos benefícios. A greve, ferramenta legítima e sagrada da classe trabalhadora, busca frear uma situação cada vez mais insuportável para os trabalhadores diante do processo de privatização da estatal. No rastro da entrega do patrimônio público, os empregos e direitos da categoria petroleira estão sendo atacados e destruídos.

O caso da FAFEN Paraná talvez tenha sido o retrato mais cruel e didático do processo de privatização pelas beiradas promovido pelo Governo Bolsonaro. A fábrica de fertilizantes paranaense será fechada pela atual direção da Petrobrás, já que não foi possível vendê-la para empresas privadas. Cerca de 400 trabalhadores próprios e 600 terceirizados receberam a notícia de que serão demitidos, enquanto a cidade de Araucária e o estado do Paraná perderão milhões em impostos, renda e emprego.

Petroleiros, próprios e terceirizados, são hoje alvo de um governo que pretende destruir a empresa responsável pelo ganha-pão de tantas famílias e pelo desenvolvimento industrial e regional do país. O momento é de mostrar unidade, força e resistência, em nome da história de luta dessa categoria – a Regap, aliás, também está em processo avançado de venda. Portanto, não se trata de uma greve em solidariedade aos companheiros do Paraná, mas sim de uma luta unitária em defesa do futuro da nossa empresa.

Editorial publicado no jornal O Petroleiro – Edição LXIV – de 7 de fevereiro de 2020