Retorno de greve: Vazamento de diesel expõe precarização da Regap Retorno de greve: Vazamento de diesel expõe precarização da Regap

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 22 de fevereiro de 2020

Após o retorno da greve, uma série de eventos operacionais ocorreram na Regap, em especial no setor de Hidrotratamento (HDT). As ocorrências comprovam as denúncias de precarização feitas pelo Sindipetro/MG antes mesmo do início do movimento grevista. Situação que pode ter sido agravada após a equipe de contingência assumir a operação das unidades por 21 dias consecutivos.

Nas primeiras horas do dia 21 de fevereiro, no momento em que os gerentes e seus fiéis supervisores distribuíam advertências aos grevistas, ocorreu trip do compressor 310-K-01 (gás de reciclo rico em hidrogênio e H2S) e a parada total da unidade.

Devido às condições precárias de operação do conjunto de compressores 310-K-02, inclusive com a indisponibilidade do equipamento reserva, houve atraso no restabelecimento da operação da U-310.

No dia seguinte, à zero hora do dia 22 de fevereiro, enquanto a U-310 era normalizada, houve nova folha de operação: o eixo da bomba 209-P-01 (circulação de água para geração de vapor) travou e o equipamento reserva estava indisponível. Vale ressaltar que o conjunto de bombas 209-P-01 A/B tem um longo histórico de vazamentos no selo e nos flanges, expondo os trabalhadores ao risco constantemente.

Ainda na manhã do dia 22, houve ocorrência ainda mais grave: O filtro da Unidade de Lubrificação Forçada (ULF), responsável pela selagem das principais bombas da unidade, apresentou um grande vazamento de diesel, drenando todo inventário. A ocorrência impossibilitou a operação das bombas e, consequentemente, da U-310.  Essa falha apresenta alto potencial de risco, colocando em perigo a força de trabalho, a comunidade do entorno e os equipamentos da refina.

A parada da unidade ocasionou o atolamento das torres e um aumento brusco na pressão, provocando o rompimento de um Instrumento de Pressão (PI) e um grande vazamento de diesel no topo da 310-C-03. Foi necessário o acionamento do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) para iniciar a prevenção de incêndio, já que o diesel poderia “flashear” em caso de contato com superfícies quentes. Até o momento, a unidades m U-310 e U-209 seguem paradas, sem previsão de partida.

O Sindipetro/MG exige que os eventos sejam esclarecidos pela gerência da Regap, com a participação efetiva do Sindicato na investigação das ocorrências. “Antes mesmo da greve, já denunciávamos o processo de sucateamento da Regap. Ao longo do período do movimento, no entanto, o Sindicato recebeu denúncias sobre a operação precária das unidades e foi impedido de averiguar as condições de segurança”, denuncia Anselmo Braga, coordenador do Sindicato.

A entidade reforça a cobrança por melhores condições de trabalho, afetadas pelo processo de sucateamento das refinarias e potencializadas pela irresponsabilidade da atual gestão da Regap.