Petrobrás anuncia novas medidas unilaterais contra a categoria Petrobrás anuncia novas medidas unilaterais contra a categoria

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 1 de abril de 2020

A gestão da Petrobrás anunciou nesta quarta-feira (01) medidas de contenção de gastos, as chamadas “ações de resiliência”, que afetam diretamente os trabalhadores do Sistema. As medidas incluem:

  • Postergação do pagamento, entre 10% a 30%, da remuneração mensal de demais empregados com função gratificada (gerentes, coordenadores, consultores e supervisores);
  • Mudança temporária de regimes de turno e de sobreaviso para regime administrativo de cerca de 3,2 mil empregados;
  • Redução temporária da jornada de trabalho, de 8 horas para 6 horas, de cerca de 21 mil empregados.

De acordo com a empresa, as ações seriam necessárias para assegurar a sustentabilidade da companhia nesta que se configura a pior crise da indústria do petróleo nos últimos 100 anos.

Falta de diálogo e transparência

Diferentemente de grandes empresas em todo o mundo, inclusive do setor privado, a Petrobrás se nega a negociar medidas excepcionais durante a crise causada pela pandemia do Coronavírus. Especialmente em relação à garantia das condições de saúde dos trabalhadores e de emprego para próprios e terceirizados.

Mais uma vez, não houve qualquer negociação com os sindicatos e a FUP. Todas as medidas até agora foram unilaterais, como mudanças em jornadas de trabalho, antecipação de férias, postergação de horas extras e gratificação de férias, parada de produção de unidades, etc.

Aliás, nesta mesma semana, a empresa procurou a FUP para propor a assinatura de  termo aditivo ao atual do ACT da categoria, sobre a adoção de tabela de turno de 12 horas. Enquanto a FUP e seus sindicatos elaboravam a contraproposta ao pedido, propondo outras medidas de garantia aos direitos e empregos dos petroleiros neste momento, a empresa apresentou a nova lista de medidas arbitrárias.

Dois pesos e duas medidas.

Chefes e trabalhadores são tratados de formas diferentes pela gestão da Petrobrás. Enquanto os diretores da alta administração da empresa já pediram para triplicar os seus bônus, em plena pandemia da Covid-19, os petroleiros arcam com a maior parte da crise.

Além disso, o Sindicato está recebendo informações de vários setores sobre chefes em regime de home office, e funcionários que seguem trabalhando normalmente mesmo em atividades não essenciais para a garantia da continuidade operacional das unidades.

De acordo com o diretor do Sindipetro/MG Felipe Pinheiro, “é um absurdo o que a Petrobras está fazendo com seus trabalhadores em um momento de pandemia. Desde o início da crise, nós temos assistido uma série de medidas sendo implementadas de forma unilateral, sem qualquer forma de negociação com os sindicatos. As medidas, além de serem unilaterais pecam pela falta de isonomia com a categoria, pois garante a remuneração dos chefes e manda cortar o salário do pessoal de chão de fábrica. O que vemos não é medida de resiliência, mas de incoerência”, afirma o diretor.

 

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