Voz da Base – Terceirização da SMS: Tempos estranhos na Regap Voz da Base – Terceirização da SMS: Tempos estranhos na Regap

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 28 de agosto de 2020

“Vivemos tempos estranhos!”. Quantas vezes, nos dias de hoje, nós brasileiros escutamos essa frase de cidadãos de diferentes visões políticas e ideológicas? Na Petrobrás, os “tempos estranhos” estão tomado conta do dia a dia da nossa companhia. A impressão é que a raposa assumiu de vez o comado do galinheiro.

Na refinaria mineira Gabriel Passos (Regap), gestores inconsequentes seguem à risca e a todo o vapor os absurdos da ´´indigestão“ Castello Branco e Bolsonaro. Aplica-se de forma irresponsável e criminosa a redução do número mínimo de segurança nas unidades, como já denunciado diversas vezes pelo Sindicato.

A gestão continuada de sucateamento tem como objetivo a privatização da companhia.  Colocam em risco a integridade física das instalações, expondo a vida de milhares de trabalhadores e deixando as pessoas que vivem no entorno desprotegidas e vulneráveis.

Não bastasse mais sucateamento com a redução do número mínimo de segurança e o fim do convênio com o Corpo de Bombeiro de Minas Gerais. E agora, pasmem, está para ser concretizado a terceirização da SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde.  Justamente o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate a emergência na Refinaria.

Essa situação escandalosa já foi alvo de denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT). Foi solicitada a intervenção do MPT no sentido de investigar e tomar medidas para preservar a vida e integridade física dos trabalhadores e morados dos bairros próximos. Em que aguardamos ansiosamente seus desdobramentos.

Vejam o risco que estamos correndo com a terceirização da SMS:

O setor de segurança industrial da REGAP possui em seus quadros fixos de combate a emergência profissionais Técnicos em Segurança desde a edição da Portaria 3214/78 do Ministério do Trabalho. Esses trabalhadores são referência, no Brasil, em atendimento aos cenários de emergência, atuando com expertise e possuindo   formação específica para o atendimento a emergências relacionadas ao combate ao fogo, vazamento de gás e produtos perigosos, emergências ambientais como vazamento de óleo para corpos hídricos, primeiros socorros, salvamento e resgate em altura e espaço confinado.

São mais de 50 anos de experiência na prevenção e combate a emergências na indústria petroquímica.

Ao visar somente o lucro, a substituição dos Técnicos de Segurança nas equipes por bombeiros civis, fará com que os mais capacitados e preparados sejam trocados por funcionários com formação rebaixada e sem experiência especifica na área.

Hoje, são 25 empregados altamente capacitados para preservar a vida da comunidade externa e interna. Cada turno possui equipe de segurança industrial de quatro técnicos. Mas com a mudança denunciada, cada equipe terá apenas dois técnicos de segurança para atender toda a demanda da unidade.

É evidente que a capacidade de responder às emergências será prejudicada. Pois os bombeiros civis não são preparados para atuar no mesmo nível de conhecimento técnico e prático dos profissionais da Petrobrás.

A irresponsabilidade da atual gestão, que coloca como prioridade o lucro em detrimento a vida, se assemelha muito a gestão criminosa e privatista de FHC nos anos 90, que entregou a Vale à ganância do capital. Foi essa mesma ganância que gerou o sucateamento das instalações e precarização das condições de segurança do trabalho que trouxe as tragédias de Brumadinho e Mariana até nós. Estamos caminhando por caminhos estranhos e semelhantes, que sabemos onde terminará e quem sairá prejudicado.  É responsabilidade de toda a categoria petroleira lutar contra esses desmandos e defender a vida.

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