RETROSPECTIVA 2020: Lucro acima da vida RETROSPECTIVA 2020: Lucro acima da vida

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 23 de dezembro de 2020

Neste ano a gerência da REGAP mostrou mais uma vez que o lucro está na ordem do dia, acima da vida e das instalações da empresa. Vimos,  na primeira quinzena de dezembro o quadro de trabalhadores do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) ser reduzido pela metade.

Antes eram 25 empregados próprios capacitados para preservar a vida da comunidade externa e interna. Cada turno possuía equipe de segurança industrial com quatro técnicos de segurança. Mas com a mudança denunciada, cada equipe agora tem somente dois técnicos de segurança para atender toda a demanda da unidade.

O Sindipetro alerta que com essa manobra, que só visa a redução dos custos, a gerência está se desfazendo de trabalhadores mais capacitados e preparados, para substituí-los por funcionários sem experiência específica na área, colocando em risco a vida deles e dos demais trabalhadores, além de toda a populações do entorno da refinaria.

Não nos calamos diante de tamanha negligência! Essa situação escandalosa já foi alvo de denúncia com a categoria e no Ministério Público do Trabalho (MPT). Foi solicitada a intervenção do MPT no sentido de investigar e tomar medidas para preservar a vida e integridade física dos trabalhadores e moradores dos bairros próximos. Estaremos atentos para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas para garantir a segurança de todas e todos que trabalham na refinaria.

Número mínimo

Em plena pandemia, a Gerência reduziu o efetivo mínimo de segurança, colocando em risco trabalhadores e a população do entorno.

A redução vai na contramão da metodologia que define o número mínimo de trabalhadores necessários para manter a segurança operacional na Refinaria. Metodologia esta que a própria estatal adotou em 2017, após a realização de estudos técnicos. Vale lembrar que os estudos foram feitos sem a participação do Sindipetro-MG.

Ocorrência na HDT

Como consequência, mesmo após seguidas denúncias do Sindipetro/MG sobre os riscos da redução do número mínimo, no dia 6 de agosto de 2020, foi registrada ocorrência de alta gravidade na Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT). O acontecimento escancarou o alto potencial de tragédia quando se opera com menos trabalhadores que o necessário.

Antes da redução do número mínimo, eram seis operadores no painel e outros seis na área. Após a redução, ficaram somente quatro no painel.

Na emergência, durante uma ocorrência operacional de parada das unidades de produção de hidrogênio, um operador da área (gasolina) foi chamado para operar no painel do Diesel 1, que naquele momento contava com mais um operador em treinamento. 

Esse exemplo grave demonstra com transparência qual a demanda para a operação em segurança, já que  além dos quatro trabalhadores previstos no número mínimo, havia mais um em treinamento e, ainda assim, outro foi convocado às pressas para ajudar na emergência.

Alto potencial de risco       

A redução do número mínimo ameaça a operação das unidades operacionais da Refinaria, que envolvem grandes riscos e cenários de acidentes que podem ocasionar tragédias.

O pior cenário de tragédia envolve o Craqueamento Catalítico Fluidizado (CCF), também conhecido como Secra. Uma falha nesse setor pode gerar uma devastação que extrapola a Refinaria, chegando até o bairro Riacho das Pedras em Contagem.

Só o vazamento da mistura de gás combustível e sulfeto de hidrogênio (H2S) na HDT, pode resultar em uma nuvem tóxica fatal. A contaminação pode atingir um raio de 850 metros, afetando grande parte da força de trabalho e comunidades no entorno da refinaria, como é o caso dos bairros Petrovale, Petrolina e Cascata, em Ibirité.

 

Abaixo, leia a retrospectiva 2020 que preparamos para você:

Editorial: 2020 une a categoria

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