Mulheres Petroleiras,  conheça a tripla jornada de quem está na linha de frente Mulheres Petroleiras, conheça a tripla jornada de quem está na linha de frente

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 8 de março de 2021

A pandemia de Covid-19 está impactando de forma desigual os trabalhadores brasileiros. Além de escancarar as desigualdades social, racial e de gênero, ela também ampliou problemas estruturais da sociedade, como a violência e o desemprego. 

As mulheres têm sido as mais impactadas. Seja em casa, com o acúmulo de tarefas da tripla jornada e o aumento dos índices de violência doméstica, seja nas questões trabalhistas. No caso do Sistema Petrobrás, a imposição do trabalho remoto e o fechamento das escolas deixaram as petroleiras muito mais sobrecarregadas. 

Nas unidades operacionais, a situação é ainda mais complexa, principalmente, em função das pressões psicológicas e da pouca efetividade dos protocolos de segurança, que não têm se mostrado suficientes para evitar o contágio, o que aumenta o medo constante de levar o vírus para casa. 

Como a indústria petrolífera é um setor prioritário, as mulheres petroleiras também estão atuando na linha de frente, seja em alto mar ou em terra, produzindo os combustíveis que abastecem as ambulâncias, as casas dos brasileiros e toda a cadeia de transportes e de petroquímica, que movimenta o país. Mas, não tem sido nada fácil para a categoria manter a saúde física e emocional com tanta pressão e insegurança. 

Além da complexidade das relações de trabalho e pessoais, que foram fortemente impactadas pela pandemia, as trabalhadoras e trabalhadores petroleiros ainda enfrentam.

O desgaste físico e emocional é uma realidade que a petroleira e diretora do Sindipetro Minas Gerais, Márcia Nazaré de Lima, 46 anos, também enfrenta diariamente. Ela é técnica em enfermagem do trabalho na Refinaria Gabriel Passos (Regap), uma das oito refinarias da Petrobrás que foram colocadas à venda no governo Bolsonaro. 

“A pandemia alterou completamente a rotina na refinaria. Todos os dias era tudo muito novo. Muitas incertezas. Fui me adaptando, pois preciso prestar cuidados aos empregados, tanto no aspecto físico quanto emocional”, declara. 

“Os empregados sintomáticos precisam se ausentar por apresentarem sintomas ou terem tido contato com familiares. Mas, ao mesmo tempo, ficam receosos de se afastarem por causa da escala escassa. Vejo muita angústia por parte deles”, explica Márcia, que está há 11 anos na Regap e precisa também lidar com suas questões pessoais e o impacto emocional de viver sob a insegurança de privatização da refinaria. 

“No meu caso, tenho dois filhos e sou responsável também pelos cuidados com a minha mãe, que está com 80 anos. Além disso, por ser diretora sindical, muitos empregados me procuram. Tento ajudar de alguma forma, porque percebo como eles se sentem sendo chefes de família. O acolhimento é fundamental e a única forma de enfrentarmos tudo isso é de forma coletiva”, afirma.

Matéria da FUP