Regap: uma verdadeira bomba-relógio Regap: uma verdadeira bomba-relógio

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 14 de dezembro de 2018

O relatório do acidente na U-47 reforçou uma denúncia que o Sindipetro/MG já vinha fazendo acerca das condições de trabalho na Regap. Em várias edições de “O Petroleiro” e também em reuniões com a gerência local e com a direção da Petrobrás, no Rio de Janeiro, o Sindicato denunciou a falta de manutenções, o excesso de jornada de trabalho, a falta de pessoal nas unidades operacionais e o risco de acidentes na refinaria.

No entanto, mesmo após a conclusão desse relatório, pouco ou nada mudou no sentido de evitar novas tragédias. Segundo trabalhadores ouvidos pela reportagem do Sindipetro/MG, há inúmeros vazamentos em diferentes unidades da UT na Regap – vapor, gás combustível, condensado de média pressão e produtos químicos próximos de tanques. “A sensação que temos é de que a unidade está abandonada”, relatou um operador.

Eles contam ainda que houve muitos cortes de trabalhadores terceirizados e que os recursos de manutenção são os mínimos possíveis, deixando a categoria à mercê de novos acidentes.
No caso da Estação de Tratamento de Água (ETA), onde aconteceu o acidente, o Sindicato recebeu denúncias de que a área é conhecida como a “unidade do jeitinho”, em alusão às inúmeras intervenções que são feitas para consertar falhas e manter a operação, sem investigar ou tratar as causas dos problemas.

A apresentação da conclusão do relatório feita aos trabalhadores também foi alvo de denúncia. Operadores afirmam que a empresa tratou o acidente em três slides e em meio a outros acidentes, “mascarando” a real gravidade do que aconteceu na U-47. “O caso foi tratado como um acidente por contato com produto químico quando, na verdade, o que aconteceu foi uma queimadura gravíssima que poderia ter levado uma pessoa à morte em uma refinaria sem condições adequadas de socorro e de tratamento daquele tipo de lesão”, contou outro trabalhador.

O coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, ressaltou que problemas de falta de manutenção e insegurança na Regap já vinham sendo denunciados pelo Sindicato, mas nenhuma providência foi tomada pela empresa. Ele também cobra, não só uma mudança na gestão da Petrobrás, como uma postura em relação aos culpados por esse acidente. “Agora, que ficou provado que a causa do acidente foi a própria a gestão da empresa, será que a Petrobrás será tão rigorosa e punitiva com seus gestores como tem feito com os trabalhadores?”.

Operador afastado

O operador Antenor Pessoa Cavalcante, ferido no acidente com ácido sulfúrico na Regap, está afastado da Petrobrás há mais de quatro meses e sem previsão de retorno.
A diretoria do Sindipetro/MG tentou contato com a família do trabalhador, mas não obteve retorno. Segundo relatos de colegas, o petroleiro ainda está em processo de recuperação e tratamento.

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