PBio: manobra para entregar ao gringos PBio: manobra para entregar ao gringos

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 24 de julho de 2020

No início de julho, a direção bolsonarista da empresa divulgou um teaser de alienação de 100% da PBio. No entanto, assim como as refinarias, a venda das Usinas de Biodiesel deve passar pela aprovação do Congresso. Mas a diretoria entreguista realiza artimanhas, tentando “passar a boiada com manobras infralegais”. Veja trecho da carta dos empregados da empresa:

“Até o ano de 2019, as três usinas usadas pela PBio em sua produção de biocombustíveis eram de propriedade da controladora. O uso, pela PBio, era feito por meio de contrato de arrendamento das usinas firmado junto à Petrobrás, o que custava à PBIO cerca de R$ 22 milhões por ano. O fim do arrendamento das usinas se deu pelo aporte destas na PBIO, fazendo da subsidiária a proprietária das unidades de produção.”

Uma empresa de grande potencial

A PBIO é uma empresa lucrativa que, entre 2018 e 2019, apresentou lucros líquidos de R$ 243,5 milhões e R$ 179,7 milhões, respectivamente (1). Isso sem falar do crédito tributário que possui. E a tendência é o aumento do consumo de biodiesel no Brasil. Isso porque o País tem uma previsão de aumento da proporção de biodiesel utilizado no combustível de 12% para 15% até 2023.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP), inclusive, faz estudos para uma mistura de até 30%. Além das vantagens econômicas, a lógica do biocombustível reduz os estragos dos combustíveis fósseis. Outro ponto importante é que as usinas da Petrobrás foram construídas de forma a desenvolver agricultura familiar na região onde foram instaladas – atendendo a uma política de Estado voltada ao desenvolvimento regional. Apenas em Minas Gerais, cerca de 9 mil famílias são beneficiadas.

Ou seja, a queima do biodiesel é menos poluente, além de ser uma fonte de energia renovável. Aliás, a saída da Petrobrás do setor de biodiesel está na contramão das grandes empresas de energia do mundo.

O discurso entreguista

Quando querem entregar algo aos americanos, os lacaios do ministro da Economia Paulo Guedes sempre inventam uma teoria: “mas se investirmos tudo no pré-sal ‘ganhamos’ mais”, por exemplo. Se a lógica antes de construir a Petrobrás fosse esta, só existiria no país “CafeBrás”. Vantagens corporativas não funcionam para quem quer desenvolver um país. Os espertos diretores nem levam em conta as mudanças bruscas em preços, como os que ocorrem com o petróleo. A verdade é que querem entregar tudo, Cemig, Correios, Copasa, ensino público, SUS, etc… E as teorias são só para gerentes lacaios ficarem dando palestra.

Unidade e organização de base para barrar os ataques

A diretoria do Sindipetro está agindo com as seguintes medidas:

– Unidade com os demais sindicatos dos trabalhadores da PBIO do país na busca de ações legais que garantam o cumprimento da Constituição. (Sindipetro MG, CE, RJ e BA).

– Contatos com Centrais e Federações de outras categorias solicitando que levem este debate para suas bases – Chamado a construção de Comitê em defesa da Petrobrás, com entidades, parlamentares e movimentos sociais.

– Reuniões periódicas com os trabalhadores de base, colhendo propostas e preparando ações. A luta do Sindicato pela PBio não se inicia hoje. Em 2019, a articulação com parlamentares resultou em audiência pública que debateu a importância socioeconômica da Usina para o desenvolvimento do Norte de Minas Gerais. No mesmo ano, foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás, que inclui a PBio.

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