RETROSPECTIVA 2020: Greve mostra força da categoria RETROSPECTIVA 2020: Greve mostra força da categoria

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 23 de dezembro de 2020

O ano de 2020 foi palco de uma das maiores greves da categoria. Na noite do dia 31 de janeiro teve início, em Minas Gerais, o movimento contra a demissão em massa e sem negociação de mil trabalhadores, efetivos e terceirizados, da Araucária Nitrogenados/ Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (ANSA/Fafen-PR). A greve também teve como objetivo a conscientização sobre os prejuízos causados pela privatização do Sistema Petrobrás.

No auge, a iniciativa atingiu 88 unidades em 13 estados brasileiros. Só em Minas, o movimento contou com 90% de adesão dos setores operacionais da Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité) e Refinaria Gabriel Passos (Regap).

Conquistas

O movimento garantiu a suspensão da demissão de mil trabalhadores da Fafen-PR e conquistou a abertura de um processo de negociação mediado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).  

Punições

De volta ao trabalho, petroleiros e petroleiras encararam o revide da gerência da Regap. Os trabalhadores tiveram que enfrentar problemas com a gestão da Petrobrás, que desrespeitou a legislação e as deliberações do TST após a suspensão da paralisação. 

Primeiramente, a gestão da Petrobrás se recusou a receber atestados médicos do período da greve e a suspender o cancelamento das férias programadas para março, desrespeitando inclusive a deliberação do ministro do TST, Ives Gandra. Além disso, passou a restringir o acesso dos diretores liberados às unidades, bloqueando os crachás dos sindicalistas.

Depois, em menos de 20 dias, a empresa puniu quatro trabalhadores da Regap. Todos diretores sindicais, sendo dois cipistas. Além de ilegais, as punições tiveram caráter político, com objetivo claro de desmobilizar a categoria nas lutas contra as privatizações.

Frente à situação, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou uma mobilização nacional do dia 11 de novembro contra as punições e outras práticas antissindicais da gestão da Petrobrás.

Também foram realizadas audiências com o Ministério Público do Trabalho no sentido de apurar irregularidades na admissão dos atestados médicos apresentados durante a greve, entre outras medidas jurídicas para resguardar os trabalhadores.

Visibilidade da luta

A greve de fevereiro colocou na mídia a mensagem de petroleiras e petroleiros de todo o Brasil, mas os frutos dessa demonstração de força foram visíveis até as últimas negociações do ano. Mesmo com uma política de sucateamento e esvaziamento de direitos, foi possível perceber que a gestão Castello Branco sabe do tamanho da nossa força e união. 

“Gás a preço justo” beneficia comunidade em BH

Famílias da Ocupação Pátria Livre, no bairro Santo André, em Belo Horizonte, foram beneficiadas pela ação “Gás a preço justo”, durante a greve da categoria.  Ao todo, foram oferecidos à população 200 botijões de gás de cozinha ao preço de R$40.  Atualmente, o valor do botijão de gás pode chegar a R$ 95 na capital.

A atividade foi subsidiada pelo Sindipetro/MG com o objetivo de mostrar que é possível vender o produto a um preço acessível, ao contrário do que é praticado pelo Governo Bolsonaro.

De acordo com o coordenador do Sindipetro/MG Alexandre Finamori, o valor cobrado pelos combustíveis, dentre eles o gás de cozinha, é abusivo. Ele explica que isso se deve ao fato dos preços acompanharem o dólar, obedecendo a interesses estrangeiros e prejudicando a população brasileira.

“A alta dos preços faz parte do processo de venda da Petrobrás, que inclui a Refinaria Gabriel Passos, em Betim. Nós, que trabalhamos na empresa e conhecemos a produção, não concordamos com isso. Defendemos uma Petrobrás pública, que o Governo Federal olhe para o povo e barre o aumento dos preços”, afirmou o diretor.

Além dos petroleiros em greve, participaram da ação o Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), apoiadores do movimento grevista.