Cláudio Costa é suspeito de cometer fraude na transferência de plano de saúde dos petroleiros Cláudio Costa é suspeito de cometer fraude na transferência de plano de saúde dos petroleiros

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 7 de abril de 2021

Braço direito de Castello Branco, o ex-gerente de Recursos Humanos da Petrobrás, Cláudio Costa, é suspeito de ter manipulado as decisões do Conselho Administrativo da empresa para realizar a transferência do plano de saúde dos petroleiros, o Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS), para um plano terceirizado, a Associação Petrobras Saúde (APS).

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) entrou com ação na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do advogado Celson Ricardo Carvalho de Oliveira, com o objetivo de reverter a decisão de transferência do plano de saúde dos trabalhadores, comunicada pela empresa no dia 1º de abril.

Costa foi demitido no dia 29 de março acusado de usar informações privilegiadas para ganhar dinheiro com ações da companhia, o que agrava ainda mais as acusações, como explica o advogado no processo de Agravo de Instrumento:

“A bem da verdade, as negociações com valores mobiliários fraudulentamente realizadas por Cláudio da Costa estão intrinsecamente relacionadas à sua atuação, na qualidade de gestor responsável pelo plano de saúde AMS, à frente de todos procedimentos administrativos deflagrados perante a Agência Agravada com vista à transferência da carteira de beneficiários da AMS para a Associação Petrobras de Saúde – APS”.

O processo também demonstra que Cláudio Costa detinha o integral controle gerencial sobre a AMS, tendo sido o responsável direto por todas as manobras procedimentais internamente realizadas para manipular as decisões adotadas pelo CA da Petrobras em torno da troca dos planos de saúde dos petroleiros.

O ministro Walton Alencar, relator do processo, afirmou em despacho:

“O denunciante traz alguns elementos que colocam dúvida sobre a correta tomada de decisão. Alega e traz alguma evidência sobre potencial conflito de interesses, especialmente no que toca ao suposto futuro presidente da APS, e questiona o nível de informação disponível ao CA na tomada de decisão no que tange a qualidade dos estudos apresentados e desinformação sobre o planejamento e as melhorias esperadas na gestão da AMS. Esses supostos fatos merecem ser melhor apurados”.

Cláudio Costa é demitido por usar informações privilegiadas para lucrar

O ex-gerente de RH da Petrobrás, Cláudio Costa, foi demitido por descumprir estatuto interno da companhia que proíbe a negociação de ações da empresa por funcionários do alto escalão nos 15 dias que antecedem a divulgação de demonstrações financeiras da companhia.

O balanço financeiro foi publicado no dia 24 de fevereiro, referente ao 4º trimestre de 2020, quando a estatal registrou lucro líquido de R$ 59,89 bilhões. Entretanto, cinco dias antes, no dia 19 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já havia indicado a troca do economista Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna no comando da Petrobrás – o que resultou na perda de R$ 102,5 bilhões nas ações.

O anúncio de mudança na presidência da companhia é alvo de quatro investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluindo o uso de informações privilegiadas em operações com opções de venda de ações no mercado financeiro.