Na Petrobrás, o lucro vale mais que a vida Na Petrobrás, o lucro vale mais que a vida

Opinião | 14 de abril de 2021

As inúmeras vidas ceifadas pela pandemia do coronavírus não foram razão suficiente para rever os planos da parada de manutenção realizada no início de março na Refinaria Gabriel Passos (Regap). A atual gestão da refinaria, alinhada com a política de governo genocida de Bolsonaro, já é responsável por cinco mortes que poderiam ser evitadas.

Usando argumentos legalistas e normativos, a gestão da Regap aproveitou para realizar vários serviços que não eram essenciais e muito menos obrigatórios, com o único objetivo de garantir indicadores de gestão, que se revertem em gratificações financeiras para os gerentes. 

A adição de mais de dois mil trabalhadores e trabalhadoras no dia a dia da refinaria em plena onda roxa da pandemia foi uma escolha da atual do gerente geral e seus subordinados. Uma decisão arbitrária tomada por um gerente que só pensou nos próprios ganhos e benefícios e que provavelmente nem mesmo sabe os nomes dos trabalhadores que vitimou.

Durante todo o processo, o Sindipetro/MG solicitou o adiamento das paradas, além da realização de fiscalizações nas instalações e implementações de outras medidas de segurança. De forma contraditória, já que a empresa alega que tudo está em perfeita ordem, não foi permitida a fiscalização por parte dos representantes dos trabalhadores. 

Para piorar ainda mais a situação, a Petrobras se recusa a realizar a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) dos trabalhadores vítimas do Covid-19, documento que comprova que os trabalhadores foram acometidos por doença laboral. O CAT é fundamental para que as famílias dos trabalhadores mortos recebam assistência da empresa no custeamento dos gastos com o tratamento realizado.

Do início ao fim, vemos o descaso da Petrobras em relação à vida e à segurança dos trabalhadores, não apenas colocando-os em risco, mas também se recusando a garantir o mínimo de dignidade aos familiares.

A parada de manutenção deixou bônus financeiros para os gerentes e mortes para os trabalhadores.

Quanto vale a vida?

Diretoria do Sindipetro/MG