Por mais um ano, o Sindipetro/MG realizou com sucesso o Encontro de Mulheres Trabalhadoras da Petrobrás em Minas, reunindo petroleiras próprias e contratadas, no dia 29 de março, na sede da CUT/MG. Para a diretora do Sindipetro/MG, Carmen Lúcia Rodrigues, o evento cumpriu seu objetivo proporcionando ricos conteúdos sobre as lutas das mulheres na história, informações sobre a saúde da mulher, reflexões sobre a evolução da equidade de gênero na empresa e animada confraternização. “Tivemos momentos de troca importantes para a conscientização sobre a organização das lutas coletivas da categoria petroleira. A nossa força está no coletivo”, avaliou.
Foto: Nádia Nicolau
Com o tema “Mulheres unidas, resistindo, ocupando espaços e escrevendo a sua história”, o encontro iniciou-se com a apresentação da militante da Marcha Mundial da Mulheres, Karina Morais, que é doutoranda em História. Ela explicou sobre a origem do 8 de março, ressaltando as lutas das trabalhadoras socialistas na Rússia e Alemanha. Também apresentou perfis de mulheres que atuaram pela libertação feminina, muitas vezes invisibilizadas na história oficial, como Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alessandra Kollantai, entre outras.
Foto: Debora Junqueira
Ela lembrou que os direitos conquistados são fruto da organização das mulheres ao longo do tempo e que nenhum direito conquistado é permanente, existindo sempre um processo de disputa na sociedade. “Se as revolucionárias socialistas impulsionaram as conquistas pelo direito ao voto feminino, ao divórcio, ao fim das jornadas de até 16 horas/dia, hoje ainda temos desafios como o de posicionar o trabalho doméstico como uma pauta de luta, o enfrentamento à violência de gênero, assim como a construção de um novo paradigma econômico e de desenvolvimento que traga liberdade e justiça social”, reforçou Karina.
Foto: Debora Junqueira
Na sequência, as estudantes de medicina da PUC MG, Angelina Mata e Larissa Diniz, apresentaram o tema “Saúde da Mulher: da adolescência à menopausa”, esclarecendo dúvidas das participantes sobre métodos contraceptivos, câncer de mama e de útero e doenças sexualmente transmissíveis. “Sempre temos coisas diferentes para aprender. Se eu tivesse mais informação, talvez a minha última gravidez, quando usava DIU e carregava muito peso, não teria acontecido”, contou Ivanilza dos Santos, trabalhadora contratada da Petrobrás.
No painel “Comitê de Diversidade da Petrobras: ações em curso, resultados, planejamento e propostas de melhoria”, a petroleira Deise de Souza, coordenadora do Comitê de Diversidade da Refinaria Gabriel Passos (Regap), apresentou um panorama das ações da Petrobras relativas à equidade de gênero com o objetivo de aumentar a presença feminina em cargos de gestão e em funções na área industrial. “Quando há uma vaga de liderança, as mulheres acham que precisam ter 100 % dos requisitos para se candidatar, já os homens com 60% dos requisitos se candidatam e o resultado são mais homens nos postos de liderança”, opinou ao abordar a necessidade de programas como o de mentoria de liderança implementados pela Petrobrás, que ajuda a identificar as trabalhadoras que querem disputar essas vagas.
Foto: Nádia Nicolau
Foto: Debora Junqueira
Um levantamento do Comitê mostra que as oportunidades para as mulheres na Regap melhoraram 31%. Dados indicam que a exigência de uma cota mínima de mulheres nos contratos de manutenção e da engenharia aumentou a presença feminina na área industrial. Juntamente com a Reduc, Refap e Replan, a Regap foi classificada com o “Selo Diamante”, por ter alcançado 95% das metas estabelecidas em 2024. A palestrante também elencou as ações que visam a melhoria das condições de trabalho das petroleiras como novos banheiros, vestiários e sala de apoio à amamentação. “Toda essa política da Petrobras é fruto da luta das mulheres com o apoio das entidades sindicais. Nossos esforços têm sido levar essas conquistas também para as trabalhadoras das empresas contratadas da Petrobrás”, opinou Carmen Rodrigues.
A diretora do Sindipetro/MG, Márcia Marins, frisou que não adianta somente ter mais mulheres em cargos de liderança. “É preciso respeito às mulheres e aos seus direitos, assim como uma mudança de paradigma nas relações de trabalho. Não adianta somente que as mulheres ocupem espaços de lideranças como figuras meramente representativas, mas que exerçam de fato como tal”, afirmou.
O Encontro de Mulheres foi encerrado com uma roda de conversa onde a convidada Flávia Valle, do movimento Mulheres Pão e Rosas abordou o tema da superexploração e precarização que tem assolado a classe trabalhadora e em especial as mulheres que continuam recebendo salários menores que os homens, sendo também as mais atingidas pelos cortes de verbas em saúde e educação. Outra convidada foi Firminia Rodrigues, do Movimento Mulheres em Luta, que ressaltou a importância das mulheres se unirem e se apoiarem mutuamente para enfrentar as dificuldades em ambientes, muitas vezes, hostis. Por fim, algumas trabalhadoras compartilharam relatos pessoais sobre os desafios na trajetória profissional na Petrobrás. No encerramento, as mulheres confraternizaram com um churrasco animado pela banda do Bloco Cilada.
Veja as fotos do evento (Crédito: Nádia Nicolau):