Cade aprova venda da Reman e categoria resiste ao entreguismo de Bolsonaro

Única refinaria da região Norte do país, a privatização da Reman causará enormes prejuízos para a população e a indústria local
Foto: Juarez Cavalcanti/Agência Petrobras

Mais um passo foi dado para o fatiamento da Petrobrás, mas a categoria continua unida na resistência contra a privatização das refinarias. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou com restrições a venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, pela Petrobrás para a Ream Participações S.A, do Grupo Atem, no julgamento realizado em 30 de agosto. O aval do Cade foi condicionado à assinatura de um acordo em controle de concentrações pelo Grupo Atem

Após a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, a Reman é a segunda refinaria que passa pelo processo de venda, ainda não finalizado. O acordo tem o prazo de até 60 dias corridos da publicação da ata do julgamento do Cade para ser assinado pelas empresas.

Para o coordenador-geral do Sindipetro-AM, Marcus Ribeiro, esse é mais um absurdo do governo de Jair Bolsonaro. “O Sindipetro-AM reafirma o compromisso de barrar a venda da Reman”, disse Ribeiro, em vídeo nas redes sociais. Ele reforça a necessidade de resistência às ações entreguistas do governo federal. 

Anunciada em agosto de 2021, a venda da refinaria e seus ativos logísticos associados – incluindo dutos e um terminal aquaviário – pelo valor de US$ 189,5 milhões (equivalente a R$ 994,15 milhões) ao Grupo Atem estava prevista para ser finalizada em março deste ano. Após denúncia do Sindipetro-AM e também de distribuidoras locais, o Cade classificou a venda da Reman como complexa e alterou o prazo limite de análise da operação, atrasando os planos de Bolsonaro de privatizar 8 refinarias da Petrobrás 

O processo de venda da Reman, a única da região Norte, é considerado complexo devido a logística da refinaria que também inclui terminal aquaviário, com o acesso a navios de importação de combustíveis. O risco é da Atem concentrar toda a distribuição da refinaria, desfavorecendo as demais distribuidoras locais.