Eleição de 2022 define futuro da
Petrobrás e da categoria petroleira

Está em jogo o projeto estratégico da Petrobrás para as próximas décadas
Arte: La Cruz

Em ano eleitoral, o futuro da Petrobrás é tema central do debate político brasileiro. Sob o status de maior estatal do país, e produtora de recursos estratégicos, a forma como a Petrobrás será gerida nos próximos quatro anos definirá os rumos do desenvolvimento nacional e da geração de empregos em Minas e no Brasil. Para os trabalhadores próprios ou terceirizados da Petrobrás, assim como para os aposentados e pensionistas, os resultados das urnas definirão o futuro dos seus empregos, dos seus salários e também dos seus direitos.

O histórico do número de trabalhadores no Sistema Petrobrás ilustra a proporção do impacto das escolhas dos poderes Executivo e Legislativo na empresa. Entre 2003 e 2013, os investimentos federais na descoberta do pré-sal, assim como o investimento realizado para aumento na capacidade de re-
fino, fizeram com que a Petrobrás chegasse a 86.108 funcionários próprios e 360 mil trabalhadores terceirizados, maior número da história da Petrobrás.

Em contrapartida, entre 2014 e 2021, em reflexo a da paralisação e cancelamento de obras pela Operação Lava-Jato, a venda de unidades e a escolha política de desmonte da empresa e concentração em Exploração e Produção (E&P) de Petróleo, levaram a empresa a possuir, em 2021, apenas 45 mil funcionários próprios e 99 mil trabalhadores terceirizados. Para a sociedade, os efeitos dessas
escolhas aparecem nas bombas dos postos de combustíveis e nas prateleiras dos supermercados. A redução no investimento em parque de refino, assim como a venda das refinarias para empresas estrangeiras, colocou o povo brasileiro à mercê dos interesses de acionistas estrangeiros. A alta dos combustíveis, resultante desta escolha política, elevou o preço dos alimentos e da inflação. A Petrobrás que, em 2014, possuía mais de 20 mil fornecedores em sua cadeia produtiva, em 2021, passou a contar com 12 mil fornecedores. Uma perda de 8 mil fornecedores na cadeia pro- dutiva e milhares de trabalhadoras e trabalhadores demitidos.

“Tudo o que foi feito ou não na Petrobrás foram escolhas do atual governo. Um governo que escolheu o lucro dos acionistas, contra a dignidade do seu povo. Tanto que, às vésperas da eleição, buscando se recuperar nas pesquisas, o governo Bolsonaro vem com medidas que ele se recusou a adotar nos últimos 4 anos, como o auxílio de 600 reais e a redução de preços nos combustíveis” afirmou Alexandre FInamori, coordenador-geral do Sindipetro/MG.

Destruição da Petrobrás e do Brasil

A eleição de 2022 referenda o projeto político e estratégico que a Petrobrás irá desempenhar nas próximas décadas. De acordo com levantamento feito pelo DIEESE para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em 2021, o setor de abastecimento representou 88,8% do faturamento total da empresa. Porém, apesar do valor agregado da empresa ser oriundo dos derivados, o atual governo federal optou por um projeto de privatização que transforma a Petrobrás em uma empresa de Exploração e Produção (E&P) de petróleo nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Investimentos realizados pela Petrobrás
Fonte: FUP/DIEESE

Entre janeiro de 2019 e março de 2022, mais de 60 ativos da Petrobrás foram vendidos, entre elas a primeira refinaria do Brasil, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia. Duas refinarias da Petrobrás encontram-se em processo avançado de venda, são elas a Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), em Fortaleza/ CE, e a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus/AM. E outras cinco refinarias estão sendo ofertadas, que são: Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca/PE; Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Matheus do Sul/PR; Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim/MG; Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), em Araucária/PR; e Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), em Canoas/RS.

A insistência do governo Bolsonaro em vender essas refinarias, mesmo o valor agregado gerado por elas representando grande parte do faturamento total da empresa, é uma sinalização de um projeto de governo que opta pelo lucro dos acionistas ao invés do bem-estar do povo brasileiro. As consequências dessa política são sentidas nos postos de combustíveis e nos supermercados.

Entre janeiro de 2019 e julho de 2022, o preço da gasolina acumulou uma alta de 40%. Alavancada pelo aumento dos combustíveis, nos primeiros sete meses de 2022, a inflação dos alimentos já somava 9,83%. Em contrapartida, em 2022, a Petrobrás se tornou a maior pagadora de dividendos do mundo, distribuindo U$9,7 bilhões (aproximadamente R$50 bilhões) aos seus acionistas, na maioria estrangeiros.

Investimentos em refino de cada governo
Fonte: FUP/DIEESE

Petrobrás aliada do Brasil

A Petrobrás é uma empresa que nasceu para servir o Brasil. E retomar a sua função social, fazendo com que ela respeite a população e os seus trabalhadores, é um dever de todos na eleição de 2022. O desafio de fazer com que a Petrobrás coloque a vida do povo acima dos interesses do capital financeiro é grande, mas não se pode desanimar. É preciso retomar a Petrobrás, consolidá-la novamente como uma empresa integrada de energia, atuando do poço ao poste. E isso não se faz priorizando o lucro dos acionistas.

A Petrobrás deve implantar uma política de preços justos para os combustíveis. Para isso, é necessário que se interrompa todos os leilões em curso e retome o seu sistema integrado, com a retomada de obras de ampliação e construção de novas unidades de refino, como era visto em todo o território nacional na década passada. Porque a Petrobrás não pode ser apenas uma E&P. A Petrobrás deve investir em pesquisa, tecnologia e inovação, privilegiando as parcerias com as universidades públicas. No dia 2 de outubro, o povo brasileiro deve escolher um projeto político que faça com que a Petrobrás retome os investimentos sociais, em cultura, meio ambiente e esportes, contribuindo assim para o desenvolvimento social e cultural da sociedade.

É também necessário que a Petrobrás interrompa os processos de privatização de suas unidades, entre elas a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim/MG, e a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro (PBio), em Montes Claros/MG. Além disso, é necessário constituir um processo de investigação com ampla participação da sociedade para analisar todos os movimentos de venda de ativos realizados nos últimos cincos anos. E, por fim, é preciso garantir o aumento da capacidade de refino nacional e se preparar para uma transição energética efetiva, revitalizando o programa de biocombustíveis e preservando a PBio (Petrobrás Biocombustíveis).

Para retomar a Petrobrás, é preciso compromisso do eleitor na escolha dos seus candidatos. Alexandre Finamori, coordenador geral do Sindipetro/MG destaca o papel da categoria neste processo. “Cabe
a categoria entender o que está em jogo e fazer valer o seu voto, a principal arma do povo em uma democracia. Não dá pra votar em candidato que você sabe que defende coisas que possam te prejudicar no futuro. Com a eleição tão polarizada e imprevisível, também não podemos ficar omissos nesta campanha eleitoral. Precisamos dialogar com todas e todos ao nosso redor e buscar a eleição de quem está do nosso lado” afirmou.

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