Megadividendos custam o futuro da Petrobrás

O total de dividendos do ano chegará a quase R$ 180 bilhões

O anúncio da distribuição de um novo volume de dividendos da Petrobrás, que, segundo informações, poderá atingir R$ 50 bilhões, relativos aos resultados do terceiro trimestre levantou questionamentos por parte da sociedade. Chama a atenção o volume distribuído em contraste com os investimentos planejados.

O total de dividendos do ano chegará a quase R$ 180 bilhões, enquanto os investimentos realizados pela estatal em 2022, até junho, somam apenas R$ 17 bilhões, conforme relatórios financeiros da empresa.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Anapetro – Associação que representa os petroleiros acionistas minoritários da Petrobrás, questionam a antecipação dos dividendos junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público de Contas, além de denúncia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Procuradoria Geral da República (PGR). A alegação é de qualquer decisão sobre dividendos deveria caber à futura administração da empresa, considerando as diretrizes de um novo controlador e que a legislação determina que a aprovação de dividendos é de responsabilidade de assembleia geral ordinária, e não do conselho de administração da empresa.

O presidente da Anapetro, Mário Dal Zot, destaca que, “de forma absurda, a nova política de dividendos da Petrobrás permite pagamentos trimestrais com saque, inclusive, na conta reserva de lucros, o que implica redução do Patrimônio Líquido da empresa, como aconteceu no segundo trimestre do ano”.