Terceirizados fazem paralisação por negociação de Acordo Coletivo

A categoria reivindica uma recomposição salarial de 20%, que inclui a inflação acumulada nos últimos 12 meses e perdas anteriores

Enquanto a Petrobrás distribui dividendos estratosféricos para acionistas privados, trabalhadores contratados por empresas terceirizadas na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, fazem greve para garantir melhores condições de trabalho e salário. Desde o dia 7/11, os trabalhadores das principais prestadoras de serviço na área de manutenção da refinaria (Manserv, Mazza, Nitnave, VGK, Gramo, Heftos e TD construções) paralisaram as atividades e estão mobilizados para garantir conquistas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O ACT é negociado entre as empresas e o Sitramonti-MG (Sindicato dos Trabalhadores em Montagens Industriais em Geral do Estado de Minas Gerais).

Segundo o coordenador do Sitramonti-MG, Vilmar de Souza e Silva, a greve foi deliberada depois do término da vigência do último ACT, cuja data-base foi 31/10. “As empresas não deram retorno para negociar a pauta de reivindicações da categoria. Com o limite da data-base, os trabalhadores decidiram pela paralisação para pressionar as negociações e fechamento do Acordo”, esclarece Vilmar. A estimativa do Sitramonti-MG é que o movimento conta com a adesão de mais 600 trabalhadores terceirizados da Regap, principalmente da área de manutenção e que a paralisação pode afetar os serviços prestados na refinaria se não houver acordo.

A categoria reivindica uma recomposição salarial de 20%, que inclui a inflação acumulada nos últimos 12 meses e perdas anteriores. Eles também reivindicam melhorias em cláusulas sobre plano de saúde, transporte e PLR (Participação nos Lucros e Resultados), entre outras.

Após o início do movimento dos trabalhadores, as empresas apresentaram uma contraproposta que prevê reajuste salarial pelo INPC + 0,5% de aumento. Sobre a PLR, as empresas estão propondo 220 horas limitadas ao valor atual (R$ 2.090,00) corrigido pelo INPC mais 0,5%. Os mesmos índices também serão aplicados no vale-alimentação. As demais cláusulas serão mantidas conforme o ACT 2021/2022.Os trabalhadores vão avaliar a proposta em assembleia.

O Sindipetro/MG se solidariza com a luta dos petroleiros terceirizados, e chama os petroleiros próprios a apoiarem esta luta. “Infelizmente, não há outro caminho para os trabalhadores explorados a não ser parar e lutar por seus direitos. A inflação alta e os salários baixos afetaram muito a qualidade de vida dos trabalhadores. Em alguns casos, os benefícios dos terceirizados foram reduzidos. Se os trabalhadores não se mobilizarem, os patrões vão continuar fazendo vistas grossas e enrolando com as demandas urgentes da categoria”, opina o diretor do Sindipetro-MG, Leonardo Auim.