Gestão irresponsável leva a parada de produção na Petrobrás Gestão irresponsável leva a parada de produção na Petrobrás

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 26 de julho de 2017

replan_divulgacaoNão é de hoje que a FUP e seus sindicatos têm denunciado a irresponsabilidade do PIDV promovido pela gestão de Pedro Parente à frente da Petrobrás. E, agora, a própria direção da empresa assumiu seu erro ao comunicar na última terça-feira (25) a paralisação temporária de uma das três unidades de hidrotratamento (HDT) do diesel S-10 da Replan, em São Paulo, por falta de trabalhadores.

Segundo nota da Petrobrás à imprensa, a medida foi necessária para atender a uma liminar da Justiça atendendo a um pedido do Sindipetro/SP. A decisão obriga a empresa a interromper os cortes que vinham sendo feitos nas equipes que operam a refinaria e o retorno imediato dos números mínimos praticados anteriormente à reestruturação.

Tudo isso por causa de um PIDV irresponsável. Em algumas unidades, como no caso da Repar (PR), a adesão ao Programa foi tão grande que o número de trabalhadores saindo da empresa corresponde a um grupo inteiro de turno (cada grupo de turno possui 72 operadores e 68 trabalhadores estão saindo pelo PIDV).

Essa situação tem levado a Petrobrás a deslocar funcionários de uma refinaria para outra (sem o devido tempo de treinamento para operação em outro local); promover dobras, expondo seus funcionários a riscos de acidentes devido ao excesso de horas para garantir a operação; ou implantar listas de coberturas: tudo como forma de camuflar o caos provocado pela falta de pessoal.

Ameaça de parada de produção

Na Reduc, a liminar da Justiça que obrigava a Petrobrás a manter os números mínimos e determinava que o Sindipetro Caxias tivesse acesso ao estudo de Redução de Efetivo caiu na noite desta terça-feira (25). Segundo decisão da 6ª Vara de Trabalho de Duque de Caxias, a liminar havia sido concedida até 19 de julho e a empresa cumpriu a determinação.

No processo, a Petrobrás alegou a necessidade de redução dos efetivos tendo em vista que na última segunda-feira (24), 40 técnicos de operação deixaram a Reduc por meio do PIDV irresponsável e que há previsão de saída de outros 11 trabalhadores nos próximos dias.

Além disso, a empresa informou que, caso a liminar da Justiça não fosse extinta, a empresa teria que reduzir a produção de óleo diesel, querosene de aviação, nafta, lubrificante e asfalto, correndo o risco de provocar desabastecimento no País. Com isso, o juiz voltou atrás na decisão concedida anteriormente.

A assessoria do Sindipetro Caxias ainda não foi notificada da extinção da cautelar, mas já havia distribuído a ação principal com pedido de tutela antecipada para a não implantação da redução do efetivo. Até o presente momento, a 6ª Vara ainda não se manifestou sobre o pedido.

Estratégia de mercado

Apesar da parada de produção na Replan e das ameaças de parada na Reduc, a Petrobrás já havia anunciado ao Ministério de Minas e Energia que não é mais responsável pelo abastecimento no Brasil.

Desde a adoção dessa medida, as empresas privadas de distribuição aumentaram a importação de derivados de modo exponencial. Embora haja déficit de pessoal nas unidades – provocado pela própria empresa – a redução de produção e a parada de unidades faz parte da estratégia da Petrobrás de ceder aos estrangeiros o mercado de Refino no Brasil.

Há uma clara orientação da gestão Temer/Parente para reduzir o efetivo, baixar a produção interna, ceder o mercado de derivados e tornar as refinarias mais interessantes para a venda.

Mobilizações

Nesta quinta-feira (27), trabalhadores de todo o Sistema Petrobrás farão atos e mobilizações contra a redução de efetivo e a venda de refinarias. Em Minas, o Sindipetro/MG fará um atraso na portaria da Regap às 7h30.

Desde junho, petroleiros de todo o País estão mobilizados na luta contra a diminuição dos números mínimos. A categoria realizou greve, paralisões e diversos atos contra a medida irresponsável da Petrobrás. Em algumas unidades, onde o corte já foi realizado, os sindicatos entraram com ações na Justiça contra a medida.

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