Bomba-relógio: Regap registra quatro acidentes em 45 dias Bomba-relógio: Regap registra quatro acidentes em 45 dias

Diversos, Notícias, De que lado você está?, Tribuna Livre | 29 de setembro de 2017

regap-petrobras-1A conta do desmonte promovido pela atual direção da Petrobrás não para de chegar para os trabalhadores. E a fatura tem chegado, principalmente, com o aumento da insegurança nas unidades operacionais da empresa, inclusive na Regap.

No último domingo (24), a refinaria registrou o quarto acidente em um período de 45 dias. Segundo relato de operadores, uma carga que era transportada de maneira precária na CCF caiu quando o moitão subiu de forma rápida e colidiu com a estrutura superior da ponte rolante, arrebentando a corrente.

Segundo informações obtidas pelo Sindipetro/MG, a ponte rolante operava sem motor lento e sem fim de curso e, por isso, a operação era feita por meio de catracas. Além disso, uma Gestão de Mudança assinada pela gerência da Regap autorizava a realização do processo dessa forma.
Apesar da gravidade, o caso não foi tratado como acidente, e sim como incidente. Por isso, não foi aberta uma comissão de investigação para apurar o fato e também não houve comunicação ao Sindicato.

No entanto, o trabalhador que operava a máquina no momento da queda foi responsabilizado e obrigado a fazer um curso de reciclagem. Agora, o Sindipetro/MG quer saber: qual será a punição do gerente que autorizou a realização do serviço sabendo as condições da ponte rolante?

Fábrica de acidentes

Mesmo sem vítimas, todos os acidentes na Regap foram de alto risco para os trabalhadores e para a comunidade do entorno da refinaria.

No dia 14 de setembro um vazamento de água ácida contaminou toda a área da HDT com amônia e foi necessário evacuar a unidade. A causa aparente do acidente foi o rompimento do selo da bomba, que operava com obstrução há alguns meses.

Já no dia 10, um vazamento de petróleo em alta temperatura provocou a parada da unidade 101 da UDAV-2. Na ocasião, a equipe de emergência foi imediatamente acionada, evitando uma explosão ou incêndio. Por fim, um vazamento de diesel contaminado provocou uma parada de emergência na unidade de hidrotratamento U-110, na Regap, no dia 15 de agosto.

Todas essas ocorrências revelam a situação caótica das unidades operacionais, que estão se transformando em fábricas de acidentes. A redução de pessoal, provocada principalmente pela saída de trabalhadores no PIDV irresponsável da Petrobrás, aumentou a insegurança.

Operadores experientes estão deixando a empresa e as unidades estão funcionando com excesso de dobras e horas extras. Esse número alarmante de acidentes, inclusive, já foi denunciado na última rodada de negociação da campanha salarial.

No caso da Regap, o Sindipetro/MG está participando das comissões de investigação dos acidentes notificados e denunciou a subnotificação de um deles. Também denunciou a insegurança na empresa na reunião que avaliava se a refinaria deveria manter sua certificação no Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (Spie).

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