Entrevista: Congresso do Povo, um projeto popular para o Brasil Entrevista: Congresso do Povo, um projeto popular para o Brasil

Diversos, Notícias, Opinião, Tribuna Livre | 4 de maio de 2018

Com o objetivo de dar uma resposta ao golpe de 2016 por meio da organização e participação popular, o Congresso do Povo está sistematizando comitês da Frente Brasil Popular nas comuncongresso-do-povoidades, bairros, vilas e locais de trabalho e realizando neste mês de maio os congressos municipais.

A ideia, segundo o representante da Frente e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pablo Dias, é retomar o trabalho de base que a esquerda realizava no passado e ouvir do povo sobre os problemas enfrentados a nível de bairro, cidade, estado e de Brasil. A partir daí, construir um projeto nacional para o País que tenha a cara do povo e que seja baseado na democracia e na soberania.

As etapas municipais, estaduais e nacional do Congresso do Povo são abertas a qualquer pessoa. O Sindipetro/MG é um dos apoiadores da iniciativa. Confira a entrevista com Pablo Dias sobre o Congresso:

Sindipetro/MG: Como surgiu a iniciativa do Congresso do Povo?

Pablo Dias: O Congresso do Povo é uma iniciativa da Frente Brasil Popular que surge como uma articulação de organizações, sindicatos e movimentos sociais para organizar as categorias em seus bairros, igrejas e locais de trabalho. É uma ideia para enfrentar esse momento da conjuntura porque a gente tem certeza de que, só com muita organização e muita gente consciente e disposta a fazer os enfrentamentos e as disputas de ideias na sociedade, é que a gente vai conseguir alterar a correlação de forças, enfrentar o golpe e voltar à construção de um projeto de País que seja soberano, que garanta os direitos dos trabalhadores e seja realmente democrático. Então, o Congresso do Povo é um esforço de ouvir o povo.

Sindipetro/MG: Como está a organização do Congresso em Minas?

Pablo Dias: Aqui em Minas Gerais, a gente já construiu uma formação de formadores estadual e, no mês de abril, realizou mais de 25 formações de formadores regionais. Agora em maio, a gente está entrando na terceira etapa desse processo que é realizar os congressos municipais. A ideia é atrair as periferias, as organizações, os trabalhadores, as igrejas, enfim, o máximo de gente possível com duas missões básicas. A primeira é pensar quais e como vamos resolver os problemas do meu bairro, do meu município, do meu Estado e do meu País. Então, a partir dessas respostas, a gente vai elaborar um projeto de País que seja a cara do povo brasileiro, construído a partir das necessidades e problemas reais. E a segunda grande tarefa é iniciar o processo de organização das comunidades com o objetivo de sair de cada município, de cada bairro, de cada fábrica, de cada igreja com um comitê da Frente Brasil Popular. Aí, após o Congresso do Povo, esse comitê vai vai continuar debatendo e fazendo formação política, estudos de realidade, ações e lutas conjuntas e pressionando os órgãos públicos, além de construir elementos da cultura que ajudem a fortalecer essas lutas e a busca dos direitos.

Sindipetro/MG: O Congresso é também uma tentativa da Frente de retomada do trabalho de base?

Pablo Dias: Sim. A gente enxerga que essa é uma fragilidade na construção da esquerda nos últimos 20 anos. Houve um distanciamento da vida real do povo e da organização permanente, um abandono do trabalho e da disputa das consciências. O golpe mesmo foi uma resposta gigantesca para a qual a esquerda não estava preparada. Então, se o povo não estiver muito consciente, preparado e organizado, a tendência é que as forças golpistas tentem sempre colocar seu projeto na ordem do dia.

Sindipetro/MG: E como se aproximar do povo?

Pablo Dias: Um ponto positivo é que o povo agora está muito disposto a conversar sobre política. Em períodos anteriores, a falta de trabalho ideológico fez o povo pensar que a ascensão social era fruto de mérito e não das lutas históricas da classe trabalhadora, e deixou a população acomodada. Mas, agora, a gente vive uma convulsão política no Brasil, impulsionada por cortes profundos de direitos seguidos de aumento da pobreza, a falta de acesso à saúde, o desmonte da educação, as garantias e as leis trabalhistas sob risco, o aumento das tarifas de energia, de água, de gás e de gasolina. Tudo isso coloca o povo muito disposto a conversar sobre política.

Sindipetro/MG: O Congresso irá gerar um documento sobre as demandas e soluções do povo para o País. Esse documento será entregue aos candidatos nas eleições ?

Pablo Dias: A intenção do Congresso do Povo é envolver os candidatos no processo, mas não para que eles falem o que vão fazer, e sim para que ouçam do povo o que o povo quer, precisa, sugere, e exige que seja feito no Brasil. E aí são tanto os candidatos à Câmara e ao Senado, como os candidatos aos governos e à Presidência. A ideia é que depois seja formatado um documento único que deve ser desdobrado em três grandes eixos: 1- o eixo da democracia, que vai trabalhar a questão do golpe, da participação popular e da participação direta do povo nas decisões; 2 – o eixo dos direitos, que vai avaliar quais são os direitos do povo – que inclui tarifas, direitos trabalhistas, acesso à saúde, educação e segurança pública; 3 – e o eixo da soberania, que é como a gente usa os recursos estratégicos para a população e para a nação e como eles serão utilizados para satisfazer realmente a necessidade do povo e não aos interesses de alguns pequenos grupos.

Entrevista: Congresso do Povo, um projeto popular para o Brasil