Categoria petroleira debate violência de gênero na política no VII PlenaFUP Categoria petroleira debate violência de gênero na política no VII PlenaFUP

Diversos, Notícias, Tribuna Livre, Política | 4 de agosto de 2018

image_50429185Petroleiros e petroleiras participaram no sábado (4) do painel “Violência de gênero na política” no VII PlenaFUP, que teve a participação da historiadora Eleutéria Amora, fundadora da Casa da Mulher Trabalhadora, da psicóloga, jornalista e assistente social Ana Rocha, Coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisa da União Brasileira de Mulheres (UBM) e da colombiana Sonia Milena López Tuta, presidente da Fundação Joel Sierra e integrante do Congreso de Los Pueblos Capitulo Centro Oriente.

Ana Rocha ressaltou a importância do tema de gênero estar na pauta da Plenária Nacional dos Petroleiros e Petroleiras e sugeriu que essa iniciativa sirva para romper qualquer tipo de discriminação. Ela relembrou casos emblemáticos recentes de discriminação contra mulheres na política, como o que aconteceu com Manuela Dávilla durante a entrevista no programa Roda Viva, com Jandira Feghali quando foi empurrada por um colega no plenário enquanto falava e os episódios de misoginia em relação à ex-presidenta Dilma Roussef. “O espaço da política é masculino e, quando a mulher entra, a discriminação acontece”, comentou.

Alertou ao fato de que há uma sub-representação feminina na política porque existem muitos obstáculos para as mulheres chegarem ao poder. Ela explicou que, historicamente, a mulher foi colocada no papel de cuidado do lar e da família, papel que ainda existe no imaginário de parte das pessoas. Na política, ainda é comum que a mulher seja tratada na política como se aquele espaço não lhe pertencesse e cabe a todos e todas desconstruir que existem espaços femininos e masculinos.

“Para enfrentar a discriminação de gênero, é necessário estar em toda a parte. O machismo perpassa homens e mulheres, mas afeta diretamente o elo oprimido, ou seja, as mulheres. Existe uma diferenciação de papeis resultante de uma construção histórico-social. Exige uma transformação cultural enorme, que una não só a mudança nas estruturas, mas também dos conceitos e dos estereótipos. Por isso é tão fundamental termos ações como a Campanha Permanente de Combate ao machismo e valorização das mulheres. É na educação que podemos atuar para mudar essa forma de pensar”, disse.

Eleutéria Amora ressaltou que é necessário as mulheres assumirem seu papel na produção de conhecimento para mudar a sociedade. E esse é um desafio posto para a sociedade, não só para elas.

Relembrou que na história mundial houve um grande apagamento da história das mulheres com a caça às bruxas, que na verdade era uma perseguição às mulheres que se recusavam a seguir costumes da época, como o casamento forçado. Amora destacou que o preconceito é ainda mais grave com as mulheres negras, já que o racismo é estruturante da desigualdade. Sugeriu que o trabalho de todos é trazer as mulheres negras para assumir espaços de poder.

“Fomos confinadas ao trabalho de cuidar da sociedade e não para ocupar espaços de poder. As tarefas do cuidar é de todo mundo, todos e todas. Mas sempre sobra para a mulher que tem que deixar de lado seu trabalho e seu lazer. É preciso vencer a divisão de tarefas do cuidado, para que possamos assumir os espaços de poder de forma igualitária”.

32498ff9b2f5b3b70333bfa57eccf735_lConquista

Ana Rocha lembrou da conquista das mulheres neste ano, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que os partidos deverão investir pelo menos 30% da verba do Fundo Eleitoral para as campanhas das mulheres. O mesmo percentual mínimo de tempo deve ser destinado para a propaganda eleitoral. Estimado em R$ 1,7 bilhão, o Fundo Eleitoral foi criado pela lei 13.487/2017 para ser aplicado nas eleições. Ele não se confunde com o chamado Fundo Partidário, estimado em R$ 888,7 milhões e aplicado para custear as atividades partidárias.

Homenagem a Marielle

Ao final do painel, o Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP fez uma homenagem à vereadora Marielle Franco (PSDB/RJ), feminista e defensora dos direitos humanos, que foi assassinada em março deste ano, um crime que até hoje não foi solucionado.

Com informações da FUP e Sindipetro-NF

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