Editorial: #EleNunca Editorial: #EleNunca

Opinião | 21 de setembro de 2018

Nos últimos meses, as pesquisas eleitorais tem revelado uma tendência que parece assustadora: crescem as chances de sermos governados por Jair Bolsonaro. Especialmente após a impugnação da candidatura do ex-presidente Lula, o candidato do PSL tem se despontado como o primeiro lugar em todas as pesquisas eleitorais, apesar de sua altíssima rejeição. Mas, por que dizemos não a ele?

Parece bizarro, mas a longa crise política e econômica que vivemos nos últimos anos promoveu a ascensão meteórica de uma figura tão nanica e repugnante da política nacional. Apesar de seu discurso fascista, homofóbico, machista e racista, sua candidatura tem recebido apoio de pessoas comuns de todas as camadas sociais, justamente por simbolizar um desejo de mudança “contra tudo o que está aí”, de uma população “que não aguenta mais”.

Bolsonaro simboliza a falência do nosso processo democrático. Como em outros momentos históricos, esse movimento nasce de um contexto de desilusão da população em tempos de crise, promovendo soluções simplistas e autoritárias para os graves e complexos problemas da nossa sociedade. O antipetismo radical, alimentado por anos pela grande mídia e pelo PSDB, transformou-se num monstro fascista descontrolado. Todo mundo virou comunista!
A ameaça Bolsonaro, entretanto, não se limita aos riscos à democracia ou às causas de minorias sociais, como mulheres, LGBT+ e negros. Sua candidatura é também uma ameaça privatista e de retirada de direitos da classe trabalhadora. É importante lembrar que seu guru economista, Paulo Guedes, já defendeu a venda de todas as estatais brasileiras, como por exemplo a Petrobrás.

Além disso, enquanto deputado federal, Bolsonaro votou a favor da Reforma Trabalhista e do congelamento dos gastos sociais por 20 anos. Agora, como candidato, Jair Bolsonaro defende a criação da chamada “carteira de trabalho verde amarela”, garantindo menos direitos trabalhistas e criando uma espécie de segunda classe de trabalhadores.

O fenômeno Bolsonaro é, portanto, subproduto de um golpe que criou feridas profundas na tão jovem e contraditória democracia brasileira. Se acreditamos no projeto democrático como a única saída para o povo brasileiro, é dever de todos nós – independente de nossas escolhas partidárias – nos unirmos contra essa ameaça e dizermos de uma vez por todas: ELE NÃO!

Editorial: #EleNunca