Mulheres se mobilizam contra Bolsonaro e marcam ato para dia 29 em todo o País Mulheres se mobilizam contra Bolsonaro e marcam ato para dia 29 em todo o País

Diversos, Notícias, Tribuna Livre, Novidades, Política | 21 de setembro de 2018

A mobilização das mulheres contra a possível eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil começou nas redes sociais e vai culminar em grandes atos políticos em todo o País no próximo sábado, dia 29 de setembro. Em Belo Horizonte, o ato acontecerá na Praça Sete de Setembro, no centro, a partir das 14h.

Segundo a socióloga e militante do Levante Popular da Juventude e da Frente Brasil Popular, Fernanda Maria Calderia, as mulheres estão indo para a rua para mostrar sua força contra a ameaça que Bolsonaro representa para as mulheres, que são 52% do eleitorado brasileiro, segundo a Justiça Eleitoral.

O candidato já declarou ser contra a Lei Maria da Penha, que aplica punições mais severas aos condenados em casos de violência contra a mulher. Também já afirmou que mulheres deveriam receber menores salários porque engravidam.

“Somos a maioria da população brasileira e a maioria do eleitorado e merecemos respeito, por isso só vamos votar em quem respeita as mulheres. Vamos reunir todas as mulheres que não se sintam confortáveis com esse homem como candidato, que se sentem ofendidas com as declarações dele. Convocamos todas para demonstrar nossa força na rua e o quanto as mulheres não querem o projeto que ele representa para o Brasil. Mulher só vota em quem respeita mulher”, disse.

Para a professora e presidenta licenciada da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Beatriz Cerqueira, o movimento das mulheres diz não a uma política e a políticos que não as representam e querem piorar suas vidas mantendo e aprofundando as desigualdades, naturalizando as mais diversas violências sofridas por elas.

“Já sofremos uma baixa representatividade nos espaços institucionais onde somos no máximo 15% dos parlamentos. A melhor resposta a isso é reagir! Colocar nossas pautas nas ruas e eleger pessoas comprometidas com pautas que defendam a vida e a eleição de mulheres com trajetórias de luta. Por tudo isso a reação que tem sido construída com atos no dia 29 de setembro é tão importante. Não se trata de um debate partidário, mas civilizatório. Um debate sobre os valores que queremos enquanto sociedade”, afirmou.

Grupo de mulheres no Facebook é alvo de ataques cibernéticos e ameaças

A organização das mulheres no Facebook teve início no dia 30 de agosto com a criação do grupo “Mulheres Contra o Bolsonaro”, que chegou a ter participação de mais de 2 milhões de mulheres.

Porém, na madrugada de domingo o grupo sofreu um ataque de hackers, que publicaram mensagens ofensivas, ameaçaram administradoras e mudaram o nome do grupo para “Mulheres Com Bolsonaro #17”.

As administradoras do grupo também relataram ter seus perfis pessoais nas redes sociais invadidos e dados pessoas expostos na internet.

A página foi tirada do ar pelo Facebook durante algumas horas de domingo (16), mas foi reativada no mesmo dia.
Os ataques geraram ainda mais mobilização das mulheres brasileiras contra o candidato. Atos políticos em todo o Brasil foram marcados para o próximo dia 29. Em Belo Horizonte, o evento já tem mais de 5 mil pessoas confirmadas e 18 mil interessadas em participar.

Bolsonaro lidera em rejeição

Apesar de liderar as últimas pesquisas eleitorais, o candidato à presidência Jair Bolsonaro também é líder em rejeição. Em pesquisa do Ibope divulgada na última terça-feira (18), o candidato apareceu com 42% de rejeição. Já em pesquisa do Datafolha, publicada no dia 11, o candidato é líder em rejeição: 49% do eleitorado feminino não votaria de jeito nenhum no presidenciável, enquanto que o índice de rejeição entre os homens é de 37%.

Vice

O vice de Bolsonaro, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), afirmou na última segunda-feira (17) que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico.

O general também chamou de “mulambada” os países emergentes ao responder pergunta sobre seus planos para a política externa brasileira em palestra na sede do Secovi (Sindicato da Habitação), em São Paulo. Ele também defendeu que uma nova Constituição mais enxuta e focada em “princípios e valores imutáveis”, mas não necessariamente por meio de uma Assembleia Constituinte.

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