Editorial: Brasil acima de tudo? Editorial: Brasil acima de tudo?

Opinião | 7 de dezembro de 2018

o-patriota No último período, Jair Bolsonaro emplacou um jargão que se transformou em seu principal slogan de campanha: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”. A primeira frase da expressão, repetida em lives, pronunciamentos, debates e entrevistas, estaria relacionada a um suposto compromisso patriótico de Bolsonaro. Mas que patriota é esse que bate continência para os interesses norte-americanos?

Bolsonaro e seus aliados têm, há algum tempo, criticado a política externa brasileira do período Lula/Dilma, taxada como “ideológica” e nada patriótica. A atuação internacional de governos anteriores, entretanto, foi reconhecida como uma política altiva e ativa, tendo como norte a soberania do Brasil e da América Latina.

A promessa “patriótica” de Bolsonaro é intensificar o que já temos assistido no (des)governo Temer: trocar uma política externa soberana por um alinhamento incondicional aos Estados Unidos. O novo governo tem dado sinais de que a participação do Brasil em articulações como os BRICS, Unasul e Celac pode acabar. Além disso, relações comerciais com parceiros importantes estão em risco iminente diante de um equipe de governo analfabeta quanto ao tema das relações internacionais.

Não nos preocupa saber para quem Bolsonaro e seus filhos mimados estão batendo continência. Nós, petroleiras e petroleiros, que trabalhamos em uma empresa símbolo da soberania nacional, nos preocupamos com as consequências dessa política externa para o futuro da Petrobrás, do pré-sal e do desenvolvimento do nosso País. Se retomarmos a lógica de falar fino com os EUA e grosso com nossos irmãos latino-americanos, a luta vai ser ainda mais dura!

Editorial: Brasil acima de tudo?