Eleições 2026, geopolítica e o papel da Petrobrás na conjuntura nacional Eleições 2026, geopolítica e o papel da Petrobrás na conjuntura nacional

Notícias, Tribuna Livre | 15 de julho de 2026

A defesa da soberania nacional, do papel estratégico do Estado e da Petrobrás marcou as palestras do professor José Kobori e da presidenta da CONTRAF/CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, na abertura do 40º Congresso Estadual dos Petroleiros de Minas Gerais. Em uma análise sobre geopolítica, desenvolvimento e mundo do trabalho, os convidados alertaram para a disputa global por recursos naturais e tecnologia e destacaram a importância de fortalecer empresas públicas e a capacidade de investimento do Estado.

José Kobori e Juvandia Moreira na abertura do 40º Congresso Estadual dos Petroleiros de Minas Gerais. Fotos: Lorena Nicácio.

Segundo Kobori, a disputa entre Estados Unidos e China vai muito além do comércio. “A política externa dos Estados Unidos busca bloquear o acesso da China às fontes de energia e estrangular cadeias logísticas”, afirmou. Nesse cenário, ele ressaltou o potencial estratégico brasileiro, lembrando que o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia.  “É até ingênuo que uma parte da população brasileira ainda não tenha se dado conta do quão estratégica é uma empresa estatal como a Petrobrás, um orgulho nacional criado na época da forte industrialização do país. O que restou para nós aqui ainda serve como resistência e resiliência na defesa da nossa soberania nacional”, opinou.

Ao abordar o desenvolvimento nacional, o economista defendeu que projetos estruturantes dependem da atuação do Estado. “O setor privado busca retorno de curto prazo. Quem investe em projetos estratégicos de longo prazo é o Estado”, afirmou, citando o pré-sal como exemplo de investimento que exigiu planejamento e visão de futuro.

Kobori também fez uma análise histórica da industrialização brasileira, destacando que a Era Vargas consolidou instituições como a CLT e ampliou significativamente o emprego formal. Em contraposição, criticou a agenda neoliberal baseada em privatizações, austeridade fiscal e redução da capacidade de investimento público. “O discurso da austeridade serve para limitar o Estado, enquanto as grandes potências utilizam o investimento público como instrumento de desenvolvimento”, disse.

“Reeleger Lula”

Para o professor, soberania econômica, energética, tecnológica e digital são dimensões inseparáveis de um projeto nacional de desenvolvimento e exigem organização política, participação popular e fortalecimento das instituições públicas. Nesta mesma linha, a presidenta da CONTRAF/CUT Juvandia Moreira defendeu os direitos da classe trabalhadora e a continuidade de um projeto de desenvolvimento com inclusão social. “A primeira tarefa da classe trabalhadora neste momento é reeleger o presidente Lula e impedir novos retrocessos”, enfatizou. Para Juvandia, é preciso avançar com as lutas dos trabalhadores, como a redução da jornada sem redução de salário.

A dirigente fez um balanço crítico dos governos que sucederam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, apontando privatizações, perda de patrimônio público, retirada de direitos trabalhistas e o retorno do Brasil ao mapa da fome. Segundo ela, a retomada da política de valorização do salário mínimo e os acordos salariais com ganho real conquistados por grande parte das categorias demonstram a importância da organização sindical. Juvandia também alertou para os desafios impostos pelas novas tecnologias. Ao defender a soberania digital, ressaltou a necessidade de proteger os dados nacionais e ampliar a capacidade de diálogo do campo popular nas redes sociais diante da disseminação de desinformação.

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