20º Confup: Atos na Rlam e em Taquipe reforçam luta por reestatização e fortalecimento do Sistema PetrobrásAs delegações presentes em Salvador se dividiram entre os dois atos realizados pelo Sindipetro Bahia. A importância da campanha Reestatiza Brasil foi destaque na fala das lideranças sindicais, que ressaltaram que a defesa da soberania nacional passa, necessariamente, pelo fortalecimento do Sistema Petrobrás

[Da comunicação da FUP|Fotos: Marcelo Aguilar]
Os cerca de 400 petroleiros e petroleiras presentes em Salvador para o 20º Confup participaram na manhã desta quarta-feira, 22, de dois atos históricos, na Rlam e no Campo de Taquipe. Representando as bases dos 14 sindicatos filiado à FUP, as direções sindicais destacaram em seus discursos os impactos das privatizações realizadas pelos governos Temer e Bolsonaro, que geraram desempregos e perdas de direitos, sobretudo para os trabalhadores do Norte e Nordeste, além de uma série de prejuízos econômicos e sociais, como o aumento dos preços dos combustíveis.
Vindas de diversos estados do país, as delegações lotaram o famoso Trevo da Resistência, que dá acesso à histórica Rlam, primeira refinaria a integrar o Sistema Petrobrás, mas que foi privatizada no final do governo Bolsonaro e hoje é controlada pela Acelen, empresa do grupo Mubadala Capital, que integra o fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos.
“Precisamos falar sobre a importância da reestatização, pois não visa apenas benefícios para os trabalhadores e trabalhadores, mas também é uma defesa de sociedade, uma pauta do povo baiano”, disse a coordenadora-geral do Sindipetro Bahia, Elizabete Sacramento. Petroleiro da Acelen e diretor do Setor Privado do sindicato, Diogo Teixeira também falou sobre os efeitos da privatização no dia a dia dos trabalhadores da refinaria. “Já chegamos a ter aqui nessa refinaria 3.500 trabalhadores terceirizados e hoje só temos pouco mais de 1.000. Isso é inadmissível”, afirmou.

A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, explicou que não há contradição entre defender a reestatização da unidade e a preservação dos empregos, frisando que a federação representa e defende os direitos de todos os trabalhadores do setor, independentemente do crachá. Ela declarou que a luta pela reestatização da Rlam passa pela incorporação dos trabalhadores da Acelen e pelo retorno dos que foram transferidos.

“Não tem contradição alguma em defender o direito daqueles que estavam trabalhando aqui antes da privatização poder voltar para o estado da Bahia e também ao mesmo tempo garantir o direito de vocês que aqui estão de manterem os seus empregos”, afirmou. “O principal valor dessa gestão que está assumindo a FUP é a luta por um mundo sem opressão e sem explorações. E na nossa realidade direta, aqui na Bahia, não tem diferença a cor do crachá para nós. Não tem essa que um trabalhador concursado é melhor do que outro trabalhador. Somos uma única classe trabalhadora, são os patrões que ficam querendo separar a gente e não podemos cair nessa”, completou.

Cibele também falou sobre a luta histórica da FUP na organização e defesa dos direitos dos prestadores de serviço do Sistema Petrobrás e reforçou o compromisso da atual gestão em avançar nesse processo. “A gente precisa sim avançar na proteção do direito dos trabalhadores e trabalhadoras, prestadores de serviço, independente da empresa que vocês estejam, pois a gente sabe que o vínculo geral e maior é com a refinaria, não é com as empresas que vêm e vão”, declarou.
“Estamos todos construindo o setor de petróleo no Brasil e fortalecer o Sistema Petrobrás é fortalecer o Brasil e a soberania nacional”, afirmou a coordenadora da FUP, lembrando que os impactos das privatizações afetam a classe trabalhadora, “independentemente da forma de contrato”, pois prejudicam da mesma forma todas as famílias brasileiras. “Imagine se tivessem conseguido privatizar tudo, como era o desejo deles? Imagina o quanto a população brasileira estaria pagando no combustível, no diesel, na gasolina, no gás de cozinha, agora no momento em que estouraram as guerras?”, alertou, lembrando que o projeto do governo Bolsonaro era vender metade do parque de refino da Petrobrás, além dos mais de 250 ativos que foram entregues.
“A retomada da Rlam como estatal tem a ver com a estratégia da soberania nacional, tem a ver com pra quê e para quem serve o destino do fruto do trabalho nosso, que estamos aqui no dia a dia. Ele tem que ir para a sociedade brasileira e não para a mão de uma empresa privada”, concluiu a coordenadora-geral da FUP.