Proposta de PLR rebaixada não valoriza trabalho da categoriaA Petrobrás apresentou, em 14 de agosto, uma proposta de PLR que não contempla as reivindicações da categoria petroleira. A proposta congela por dois anos o piso da PLR, traz diferenciações de valores para parte das empresas do Sistema Petrobrás e deixa de fora os trabalhadores da Ansa.

Foto: Marcelo Aguilar (FUP)A Federação Única dos Petroleiros (FUP) exige que a Petrobrás apresente proposta de PLR e Plano de Cargo para todas as empresas do Sistema, somente depois disso levará a proposta para apreciação da categoria em assembleias. As entidades sindicais deverão realizar reuniões setoriais com os trabalhadores para discutir o andamento das negociações, apresentar os principais problemas identificados e pressionar as empresas que ainda não avançaram nas tratativas.
A decisão considera as diferenças existentes entre as propostas apresentadas pelas empresas do Sistema Petrobrás. No caso da PLR e outras remunerações variáveis, a negociação está mais adiantada e resta a apresentação da proposta da Ansa. Porém, a própria proposta apresentada pela holding, seguida pela Transpetro e Termobahia, não apresenta avanço algum, muito pelo contrário, congela o piso. A proposta da PBio e TBG são piores do que o acordo vigente. A TBG é a única empresa que, se cumprir todas as metas, o montante será 4% do lucro líquido, para garantir 2,25% para o PRD, rebaixando assim a PLR.
Já no plano de cargos, a maior parte das subsidiárias ainda não apresentou proposta, e a proposta apresentada é considerada incompleta, uma vez que aborda apenas questões sobre mobilidade, e ignora outros pontos importantes como progressão na carreira.
Outro tema discutido pelo Conselho Deliberativo foi o teletrabalho. A FUP solicitará o início das negociações sobre o regime, considerando que o acordo atualmente em vigor tem validade até abril. A entidade também aponta a existência de insegurança entre os trabalhadores diante da reabertura do Edise e defende o início imediato do tratamento do tema nas negociações.
Os números mostram que apesar de lucrar mais, a Petrobrás está distribuindo menos a riqueza gerada pelos trabalhadores, em meio a recordes de produção e de produtividade. De toda a riqueza gerada pela empresa, hoje um terço vai para os acionistas e somente 9% ficam com os trabalhadores, segundo apresentação feita pela assessoria do Dieese. Enquanto o faturamento do Sistema Petrobrás está numa curva crescente, a relação entre remunerações variáveis, lucro líquido e dividendos vem caindo. O estudo do Dieese apontou que as despesas com trabalhadores representam 5,6% do faturamento da estatal, sendo que 2,6% são destinados ao pagamento das remunerações fixas, incluindo o alto escalão, e 1% para remuneração variável.