O Voto Feminino, a igualdade política e a força da classe trabalhadora O Voto Feminino, a igualdade política e a força da classe trabalhadora

Notícias, Tribuna Livre | 3 de setembro de 2026

O direito das mulheres ao voto não foi uma concessão, mas o resultado de décadas de resistência e organização popular. Em 26 de agosto, foi celebrado o Dia Internacional da Igualdade Feminina, que remonta à promulgação da 19ª Emenda nos EUA em 1920: um marco do movimento sufragista global que ecoou no Brasil. 

A trajetória nacional, contudo, revela o tamanho da resistência enfrentada. Desde as primeiras tentativas barradas sob justificativas patriarcais de que a política traria “desordem social” até a promulgação do Código Eleitoral em 24 de fevereiro de 1932, a igualdade de direitos sempre exigiu muita luta. O voto, garantido a partir da luta de lideranças como Leolinda Daltro e Bertha Lutz, foi o primeiro passo indispensável para a cidadania.

Contudo, votar não garantiu automaticamente a presença feminina nos espaços de decisão. O Relatório Global sobre a Desigualdade de Gênero 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, revela que o subíndice de empoderamento político é o que apresenta a maior lacuna global: apenas 23% da paridade foi alcançada. Enquanto saúde e educação superam 95% de paridade resolvida, a representação política feminina arrasta a equidade plena global para a projeção do ano de 2148. O Brasil reflete essa contradição histórica. Embora o país ocupe a 72ª posição no ranking geral de 2025, a baixa presença de mulheres nos cargos do Executivo, Legislativo e nas lideranças da sociedade civil escancara um déficit democrático que precisa ser superado. Portanto, para transformar a sociedade, não basta votar, é preciso ocupar a política, as bancadas e as lideranças.  

Ana Luíza Pereira Fernandes, advogada trabalhista do Sindipetro/MG