Lula aborda escala 6×1, segurança pública e combate ao endividamento em entrevista ao SBTPresidente comentou o resultado do primeiro turno, defendeu medidas de proteção à renda, ampliação do descanso dos trabalhadores e segurança pública

Lula no SBT – Foto: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira (19) de uma entrevista ao SBT Brasil, na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Durante a sabatina, Lula falou sobre o resultado do primeiro turno, medidas econômicas, redução da jornada de trabalho, transporte público gratuito, segurança pública e mudanças no Judiciário. Leia em TVT News os principais tópicos da entrevista.
O presidente também voltou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa, a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.
A entrevista ocorreu seis dias antes da votação, em um momento de intensificação das articulações políticas e da mobilização eleitoral. Ao comentar o cenário da disputa, Lula reconheceu que esperava um resultado mais favorável no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, mas negou ter subestimado a força eleitoral da direita ou de seu adversário.
O presidente afirmou que pretende ampliar sua votação em Minas Gerais, recuperar apoio nos estados do Sul e reduzir a diferença em São Paulo. Também destacou o crescimento da mobilização popular na reta final da campanha e disse acreditar que a participação dos eleitores será determinante para o resultado.
Economia, renda e endividamento
Entre os temas econômicos, Lula defendeu as medidas anunciadas e aprovadas nas semanas anteriores à eleição. O presidente rejeitou as acusações de que as iniciativas teriam finalidade eleitoral e argumentou que os projetos já estavam em discussão antes do primeiro turno.
Lula quer recompor a inflação acumulada do Bolsa Família
Sobre o Bolsa Família, explicou que o reajuste busca recompor a inflação acumulada entre 2023 e 2026. Segundo Lula, a equipe econômica identificou espaço no orçamento para atualizar os valores, depois de um período em que os adicionais destinados às famílias com crianças adiaram a correção do benefício.
Medidas de alívio econômico para MEIs endividados
O presidente também destacou medidas de apoio aos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo o perdão de dívidas tributárias com a União e a ampliação do limite de faturamento da categoria. Na entrevista, mencionou ainda a proposta de renegociação de débitos bancários, com descontos elevados, e a possibilidade de conceder R$ 5 mil para ajudar empreendedores a reorganizar seus negócios.
Ao responder às críticas sobre o impacto fiscal das propostas, Lula afirmou que as iniciativas respeitam os limites orçamentários. Ele citou a previsão de superávit primário de 0,1% e comparou o cenário às contas públicas que, segundo sua avaliação, encontrou ao assumir o governo.
Responsabilidade fiscal
O presidente também criticou a atuação do sistema financeiro nas discussões sobre a política econômica. Para Lula, o debate sobre responsabilidade fiscal precisa considerar não apenas os gastos públicos, mas também os valores pagos aos credores da dívida pública.
Fim da escala 6×1 e transporte gratuito
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 estiveram entre os principais assuntos da sabatina. Lula defendeu a ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores e comparou a resistência à mudança às críticas enfrentadas por conquistas como o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o 13º salário.
O presidente também chamou atenção para a realidade das mulheres que acumulam emprego remunerado, tarefas domésticas e responsabilidades com os cuidados familiares. Na avaliação dele, a redução da jornada pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e ampliar o tempo disponível para a convivência com filhos e parentes.
Outra proposta apresentada foi a oferta de transporte público gratuito aos fins de semana. Lula reconheceu que a medida deverá enfrentar resistência no Congresso Nacional, mas defendeu o uso de parte das emendas parlamentares para financiar o programa.
A proposta está relacionada à ampliação do tempo livre dos trabalhadores. Para o presidente, garantir dois dias de descanso tem pouco efeito prático se as pessoas não dispõem de recursos para visitar familiares ou realizar atividades de lazer. O formato definitivo e as condições de financiamento ainda dependem de definições políticas e orçamentárias.
Segurança pública e combate ao crime organizado
Na área da segurança pública, Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que busca ampliar a participação da União no enfrentamento à criminalidade e melhorar a integração entre as forças policiais.
O presidente afirmou que a falta de articulação entre as corporações dificulta as investigações e as operações contra organizações criminosas. Ele também confirmou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, independentemente do resultado eleitoral.
Entre as medidas mencionadas estão a ampliação dos efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de reforçar o patrulhamento das fronteiras. Lula defendeu que essa atividade fique sob responsabilidade de forças policiais especializadas, enquanto as Forças Armadas devem concentrar sua atuação na defesa nacional.
O presidente também propôs transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima. A iniciativa tem como objetivo impedir que lideranças do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) continuem coordenando atividades criminosas de dentro das penitenciárias.
Sobre a legislação penal, Lula voltou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Em relação às saídas temporárias de presos, sustentou que a concessão deve levar em conta o comportamento dos condenados e a gravidade dos delitos, com restrições para pessoas condenadas por crimes graves, como estupro e violência contra a mulher.
Lula defende mudanças no Judiciário
A escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também entrou na pauta. Lula defendeu a discussão de uma reforma do Judiciário que inclua mudanças nos critérios de indicação dos integrantes da Corte, a possibilidade de estabelecer mandatos e maior participação da sociedade no processo.
Questionado sobre a resistência à indicação de Jorge Messias para o Supremo, o presidente afirmou que o desgaste político caberia a quem rejeitou o nome, e não a ele. Lula elogiou a qualificação jurídica do advogado-geral da União, mas evitou antecipar se insistirá na indicação após as eleições.
O presidente também afirmou que nunca pediu favores aos ministros que indicou para o STF e disse que pretende considerar a competência profissional e o conhecimento jurídico em futuras escolhas.
Quebra de sigilo e acusações de corrupção
Na parte final da entrevista, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares. A proposta havia sido mencionada durante o debate promovido pela Band no domingo (18).
O presidente afirmou que está preparando procurações para permitir que as informações sejam encaminhadas às autoridades competentes, citando o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula cobrou que o adversário adote a mesma iniciativa para que as acusações de corrupção feitas durante a campanha possam ser investigadas.
Ele também acusou Flávio de apresentar informações falsas sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou encontros entre o senador e o banqueiro. Durante o debate anterior, Flávio havia afirmado que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a abertura dos sigilos nos termos propostos pelo presidente.
A entrevista ao SBT integrou a sequência de compromissos dos candidatos na reta final do segundo turno. Depois da sabatina, Lula e Flávio tinham um novo debate previsto para sexta-feira (23), organizado pela TV Globo, antes da votação de domingo (25).