Até quando? Chega de mortes no Sistema PetrobrásO Sindipetro/MG recebeu com grande pesar a notícia de mais um acidente fatal no Sistema Petrobrás, no dia 21/06. Desta vez, a vítima foi o caldeireiro Carlos Rodrigo Medeiros, de 43 anos, contratado da QWS, na Refinaria de Paulínia (Replan). O trabalhador foi atingido na cabeça durante uma movimentação de carga e faleceu, após hospitalização, em função de uma parada cardíaca.

Ao longo destas três últimas décadas, 404 trabalhadores morreram em unidades do Sistema Petrobrás, dos quais 331 eram prestadores de serviço e 73, empregados próprios. Desde 2020, 19 vidas foram ceifadas, todas de trabalhadores contratados. Só no ano passado, foram seis trabalhadores mortos em acidentes na estatal. Os que perdem a vida são os mesmos sem direitos elementares, como benefícios e salários em dia, vítimas da precária e insegura política de contratação da Petrobrás. Vide os trabalhadores da LCD, que estão reivindicando o pagamento de salários há mais de um mês atrasados.
A morte de Carlos Rodrigo evidencia a situação de precarização dos contratados, denunciada pelas entidades sindicais. Semanalmente, o Sindipetro/MG denuncia atrasos e não pagamento de verbas, salários e benefícios, além de assédio moral e desrespeito aos direitos dos contratados.
Recentemente, a Regap presenciou uma série de ocorrências e acidentes, envolvendo a categoria contratada e própria. Entre eles, o acidente com um trabalhador contratado na obra da Usina Fotovoltaica e outro com um petroleiro no DH, da Regap. Ainda, há denúncias relacionadas à necessidade de manutenção de equipamentos críticos, como nas Caldeiras da UT (U-121) e CCF (103-E-01), assim como outras sobre a operação precária de alta exposição ao risco do Compressor 101-K-01, operando com vazamento crítico no selo e sem a redundância exigida. Situações de risco de acidentes graves que se somam ao baixo efetivo de trabalhadores próprios acompanhando a Parada de Manutenção, além do alto número de coberturas e horas extras para garantia do número mínimo nas unidades operacionais.
Em 2024, um dos casos mais graves em Minas Gerais foi o acidente, na tubovia da Regap, que deixou o trabalhador da empresa Martins, até hoje, afastado do trabalho por licença médica, com graves sequelas em função das queimaduras que sofreu. E, no primeiro semestre de 2025, houve um gravíssimo acidente da plataforma Cherne 1, com alto potencial de mortes na Bacia de Campos.
“Exigimos uma nova política de SMS e de contratações no Sistema Petrobrás. Não podemos normalizar a morte de trabalhadores e o desrespeito com pais e mães de família que saem para trabalhar todos os dias sem saber se vão voltar”, afirma o coordenador-geral do Sindipetro/MG, Guilherme Alves. O Sindicato tem enviado ofícios para a empresa e, na próxima reunião de SMS, no dia 2/07, voltará a cobrar respostas sobre as demandas locais.