Copasa privatizada: direito à água ameaçadoA mesma empresa que comprou a Sabesp e precarizou o saneamento em São Paulo, com aumento de tarifas e recorde de reclamações, adquiriu ações da Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa), no dia 16/06, na Bolsa de Valores Brasileira, a B3 em São Paulo. Mesmo sob denúncias de irregularidades e questionamentos judiciais em andamento, o processo de venda da Companhia foi concluído.

Com o leilão, a Equatorial Energia tornou-se a maior acionista, com 30% do capital total, adquirido por R$ 5,5 bilhões. O Estado que possuía 50,3% do capital social da empresa passou a ter 5,03%. Já a Fundos Perfin adquiriu 12,76% da Copasa. O grupo tem relação com o BTG Pactual, banco citado em operações da Polícia Federal que apuram esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, como Carbono Oculto e Compliance Zero. Outros investidores estrangeiros ficaram com cerca de 40% da fatia da Companhia, segundo o então governador de Minas, Mateus Simões (PSD). Ao todo, a privatização movimentou R$ 8,38 bilhões.
Por solicitação do Sindágua, que representa os trabalhadores da Copasa, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) decidiu reabrir a análise de questionamentos apresentados contra a desestatização da companhia, dando 48 horas a partir de 16/06, para a direção da empresa apresentar esclarecimentos.
Nas lutas contra a privatização, o PT e o Psol entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para invalidar a manobra feita pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que permitiu a autorização do parlamento para a desestatização da empresa mineira, e exigir a realização de um referendo popular sobre a privatização da Copasa. Entidades sindicais também pressionam para que o TCE-MG invalide o processo de privatização, marcado por irregularidades.