Palestrantes defenderam Petrobrás integrada e soberania energéticaA defesa da Petrobrás como empresa integrada e estratégica para o desenvolvimento do Brasil marcou o terceiro dia do 40º Congresso Estadual dos Petroleiros de Minas Gerais. Nas palestras da representante dos trabalhadores no Conselho da Petrobrás, Rosangela Buzanelli, e do pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Francismar Ferreira, prevaleceu a avaliação de que fortalecer a estatal é essencial para garantir soberania energética, desenvolvimento industrial e segurança para o país.

Os dois palestrantes destacaram que a atual disputa geopolítica mundial coloca energia e recursos estratégicos no centro das atenções. Nesse contexto, defender a Petrobrás significa preservar a capacidade do Brasil de decidir seu próprio futuro e transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento para a população.

Rosangela ressaltou a importância da mobilização política para viabilizar esse projeto. “Qualquer avanço nas pautas discutidas depende do resultado das eleições de outubro e da composição do Congresso Nacional”, afirmou. Ela também defendeu a manutenção da Petrobrás como um sistema integrado e a ampliação dos investimentos em refino e na diversificação da matriz energética.
O pesquisador Francismar Ferreira reforçou que o petróleo continuará desempenhando papel fundamental nas próximas décadas. “O setor de óleo e gás não é vilão, é solução”, afirmou. Segundo ele, muitos dos problemas enfrentados atualmente pela Petrobrás são consequência das políticas adotadas nos governos Temer e Bolsonaro, que promoveram a privatização de ativos estratégicos, como BR Distribuidora, Liquigás, NTS e refinarias. “A desnacionalização das nossas reservas e a falta de barreiras à concessão ao capital estrangeiro são preocupantes para a soberania energética”, alertou.

Em comum, os palestrantes defenderam a retomada dos investimentos em refino, petroquímica e logística, a valorização do conhecimento técnico da companhia e uma transição energética planejada e justa, capaz de fortalecer a Petrobrás e impulsionar um projeto nacional de desenvolvimento.

Especialista analisou situação da Petros e soluções sobre os PEDs
“Desafios e estratégias de luta no pós-emprego” foi o tema da mesa com o assessor previdenciário da FUP, Luiz Felipe, que apresentou uma análise da situação da Petros e dos Planos Petros do Sistema Petrobras (PPSPs), com foco nos impactos dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) e nos desafios para construir uma solução duradoura para os participantes e assistidos.

Segundo ele, um dos principais fatores de preocupação hoje é a judicialização envolvendo os planos. “40% dos PPSPs possuem uma ou mais ações contra a Petros, o que pode elevar o déficit em 50% a 70%”, informou. Esse quadro pode gerar um passivo bilionário para a Petros e comprometer a sustentabilidade dos planos. “O debate sobre a Petros não pode se limitar à análise dos investimentos, mas precisa enfrentar também o passivo acumulado e as distorções que seguem impactando os planos”, opinou.
O palestrante destacou que os representantes do Fórum em Defesa dos Participantes da Petros vêm debatendo uma solução estrutural para os PPSPs, com estudos voltados à construção de um novo plano sem retirar direitos dos participantes e minimizar o impacto das cobranças extras dos PEDs dos PPSPs. A proposta em discussão considera um modelo de Contribuição Definida (CD) com mecanismos de proteção, preservando elementos considerados essenciais, como renda vitalícia, reajuste dos benefícios e um valor de benefício próximo ao atual. Uma saída definitiva para o fim dos PED´s ainda passa por negociações com a intermediação do Tribunal de Contas da União (TCU).