Grito dos Excluídos expõe lutas por mulheres vivas e soberania do Brasil Grito dos Excluídos expõe lutas por mulheres vivas e soberania do Brasil

Notícias, Tribuna Livre | 3 de setembro de 2026

Criado como um contraponto ao Dia da Independência, todo ano no dia 7 de setembro, acontecem nacionalmente atos do Grito dos Excluídos e Excluídas. A mobilização é fruto de uma construção coletiva de movimentos sociais, sindicais e populares, liderada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Em Belo Horizonte, o ato será às 9h30, na Praça da Estação.  

 A proposta não só questiona os padrões de independência do povo brasileiro, mas contribui para a reflexão por um Brasil mais justo para todos. Também é um espaço aberto para denúncias sobre as mais variadas formas de exclusão. O tema permanente do Grito é “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema dessa 32ª edição, “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. “O lema é bastante apropriado diante da epidemia de feminicídios e as ameaças contra a soberania do Brasil”, comenta Carmen Lúcia Rodrigues, coordenadora-geral do Sindipetro/MG. 

 Desde o seu nascimento, o Grito levanta a bandeira contra o imperialismo. Diante da política externa dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, o movimento classifica como grave a intervenção norte-americana na América Latina, a exemplo das tensões recentes na Venezuela. A relação entre soberania e democracia constitui outro eixo fundamental da 32ª edição.  

O debate ganha urgência diante das novas estratégias de interferência na política interna brasileira, que utilizam o pretexto do combate ao crime organizado para monitorar mecanismos financeiros nacionais, como o Pix, e classificar facções locais como organizações terroristas, uma engrenagem que se soma à ascensão do neofascismo na América Latina. 

Para Daiane Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e integrante da coordenação Nacional do Grito, o interesse internacional no processo eleitoral do país é estratégico. “O imperialismo norte-americano entrou com força nas eleições brasileiras para tentar conter o declínio de sua hegemonia na região. O Brasil tem um peso imenso na geopolítica e na economia, abrigando a maior reserva de terras raras do mundo depois da China, além de abundantes recursos de água doce e petróleo”, explicou. De acordo com a dirigente, a conjuntura impõe uma divisão clara entre “os defensores da nação e os inimigos da pátria”. 

Diante dessa complexidade, Daiane defende que o papel das organizações populares, sindicatos e organismos da Igreja vinculados ao Grito deve ser o de conscientizar a população. “Saber contra quem lutamos é o primeiro passo. Nossa tarefa é apontar esses culpados por meio de debates, encontros e seminários, construindo um projeto onde o povo de fato decida os rumos do país”, afirmou, em nota da organização.